aos dias de pôr, próxima aos do nascer

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

nunca mais Eu



Sim, ele acabou e ainda estou nessa existência. Eu fico pulando e falando demais desse nada, do branco e do que foi colorido. Tenho motivos que possam embarcar num fim de mundo e virar mais alguns átomos saltitantes. Talvez esse voo me largue no que ainda posso conquistar, naquilo que ainda não veio e pode ser também que leve o que pesava minha lombar. Parece simples sorrir pra todo mundo, aos animais, a essa biodiversidade e um tanto ridículo e mais complexo falar do que um dia foi intenso, profundo e maravilhoso. E esse fim entrego aos meus dias constantemente, canso de enterrar minhas mágoas, angústias e lembranças. Essa mão se tornou mais pesada, cavoucar e solidificar o que se não quer enxergar entre memórias abisma meu sono. Não mais... Nunca mais nós, não mais... Nunca mais você, não mais... Nunca mais eu... Nunca mais a mim entrego a imaturidade banal, imperdoável e ridícula! Assopro entre gritos tudo que for doce, cuidando a repugnância das fumaças, vivendo muito mais só do que confusa, vivendo muito mais esses últimos dias do que uma vida inteira junto a ti...

C. JORNADA
*nunca mais Eu

2 comentários:

M. Gonçalves disse...

vivendo muito mais esses últimos dias do que uma vida inteira junto a ti...
Disse tudo!

SolBarreto disse...

E incrivel como algumas situações nos mudam, nos fazem vermos a vida de uma forma completamente diferente!