aos dias de pôr, próxima aos do nascer

terça-feira, 24 de setembro de 2013

eu não existo


Eu já sei que sois olho feroz
e lábios da raiva, sei que sois
também a ela, uma mulher invisível
tão visível quanto a minha divisibilidade

quem disse?
pra morrer tem de deixar aparecer?
sois eu dentro de um vácuo sufocante
à espera de uma dia para nascer,
fazer da morte, o amor
que talvez tu possas ter

Mas eu fui precipitada e fiz por morrer,
babei, beijei e beijei
e boba e boa que fiquei!

Teu lábio, digo eu que não existo,
és a sensibilidade trêmula faminta
aos meus para te fazer mexer
ele me arde sem querer doer,
ele me solda sem querer distanciar
ele me fala sem querer calar
ele me matou sem querer voltar
dores nem sinto,
nem ao menos vivo pra te fazer
doer…

Teu beijo, veneno do qual me sugou
sendo o mesmo o qual passei a te pertencer
sois o corpo estranho ao teu organismo
ao tempo que rejeita,
no mesmo, desajeita…
queria ser tua peça pra me desencaixar
sair, aos poucos, desse fúnebre
desconhecimento


Sois cega ao meu velório
e tão quente à nossa cremação

E se eu fosse visível?
talvez não me enxergaria nos teus olhos
não me sentiria no teu beijo
fosse, por assim, bom demais pra ser verdade...
eu e você, olho a olho
em via pública, numa verdade nua e cega!

...e não sobreviria para contar a loucura
de como aconteceu!

e sois também, além de não vista,
sois nada, o refúgio de uma faísca, bem rápida
uma quase nada que nem a mim mesma

quis conhecer…

domingo, 15 de setembro de 2013

Sofia se foi...

Sofia..
"essa gata nunca morreria".


olhos azulados tão chatos como donzela
pelos acinzentados que rasgavam a madrugada
entre gritos e miados numa noite delirante de amor...
ela, gata transtornada de desejo
não batia, a vida lhe mostrou a a abrir portas sem medo.
zelo a ela, as curvas de seu corpo e seu caminhar de Sofia
seu olhar inexpugnável de um mistério felino 
confortava quando havia de ser conforto e enlouquecia 
quando havia de ser ela mesma...
sei que não morreu, apenas sumiu
e o que eu vi foi apenas um pedaço de quando existia
pra me confortar como sempre fez...
um beijo das duas, Sofia!


sábado, 14 de setembro de 2013

Este poema existe para provar que um anônimo também é.

Anônimo, já pensou?
em trocar nossos escondidos, ainda mais?
sei que já balbuciou.
de quê nome te veste?
já pensou em despir teu nome?
descer quem és pra mim?
dizer de quantas letrinhas te fazem assim?
sei que já, sei também que não vai...

 

Anônimo, já pensou?
"eu" poeta já, jamais esconderia meu verso.
sei que já me tentou, mesmo sem tentar,
sei que já.
então, diga-me ao menos um pseudônimo?
só pra vida ter um pouquinho mais de graça!

Anônimo, já pensou?
num poema só pra você,
ora, nem pense! Já o fiz,
te criei agorinha mesmo aqui.

Anônimo, já pensou?
Isso, isso mesmo.
Pensou em que poderíamos...?

Ãh??
Pá-pum e já!
Sei que já...
blá, blá, blá...

Anônimo, já pensou?
se te desse um nome?
que nome talvez mereceria ter?
Mercedez? Mercê? 
isso, um nome só pra Você!!!


 Ora, ora...
quem diria...
te fazer rir neste dia!
- isso que eu ainda nem comecei -

Enquanto aguardo teu nome,
anônimo ainda será.
e paramos por aqui,
sim, não pense mais em nada,
pois como vou chamar teu nome
num sussurro baixinho
pedindo mais, 
se é que nenhum nome ainda te faz!!!

Anônimo, já pensou?
pense mais!

Este poema existe para provar que um anônimo também é.






"se eu morresse amanhã"

 

Um dia,
a poeta aqui irá embora
e alguns dos tantos poemas
confortará alguém.

Um dia,
a poeta aqui voltará
e alguém de tantas pessoas
será o meu poema.

Um dia,
terei que enterrar
e o meu último verso
de amor será

- numa mensagem de dor,
que talvez possa ter - 

Um dia,
tudo será eterno
cobertas no mesmo véu
serás a minha musa lá do céu.

Um dia,
poeta, poetisa, 
uma pobrezinha
de tanto poema de amor... 



"se eu morresse amanhã"

"E ela fez de sua vida, uma outra vida. Fez da mesma vida, mais uma amor. Fez do mesmo amor até a última morte. Fez da mesma morte o poema de sua própria vida... Ela continuará fazendo, só que com um pouco mais de dor, caso se ela for antes de seu Amor.

então, toma...



E como de costume para não perder as estribeiras, mais do que a própria hora de me deixar, mais uma vez, escrever: Amor, milionésimas vezes amor...




Amor,

Se me escondesse por um milésimo

Ou todo o prol da vida,

Ela sim que seria má

A sincera idade que te fez até aqui

Sendo ela que não me deixou apenas ir mais

De mim, amor

Sumir



Amor,

Aconteceu porque é a vida

Sendo ela a que segue

Ou amor,

Aconteceu porque seguimos na mesma?



Amor,

Um olhar pra trás fez pensar na tua perda

Não que deixaste de ganhar

Foi o momento que não nos desprendeu

Mais uma vez, amor.



Amor,

Estás tão quente ao meu lado

Prometi não lembrar

E como faço pra te agradecer?

Se não na mesma sinceridade

Do quanto, eu sei

O quanto, fiquei triste

No instante, mas em não

Querer nos deixar a sós...



E mais uma vez.

Mais outra e aquela mais.

Só mais um pouquinho e agora podes ir.

Ide. Ide. Ide.



Eu é que não entendia, mas não mesmo: eu não quis!

Se era pra não querer,

Se era a hora de não mais decidir

Não.

Eu não sabia decidir

Apenas aprendi a te escolher.



Entre tantos rasgos de bem-me-quer

Mal-me-quer

Ficamos no quer, quer, quer

Aos cais do bem e do mal,

Querida, queremos!



Fiz o momento sem considerar

Num descarte de todos os ais que a vida me doeu.



Se é que tive de ficar triste,

Não saberia fazer a tristeza.



Não sei se era lágrima

Ou o instante que não havia de ser triste.



Sabia que um dia, era

Passaria, dela

Sem ao menos trepidar nada.



Mas aquilo não deveria ser de algum dia,

Amava-te naquele fortuito, apenas nele

A certeza era aquilo

E a ti já não me surpreendia mais.



Por assim,

Aguardei, conservei-te o amor

E a reza de que deveria voltar a ser

De quem sempre foi.