aos dias de pôr, próxima aos do nascer

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Preparo.Da.Lentilha

 
Era o teu brilho. O meu corpo.
A lua. Os fogos e o nosso silêncio.
Era o teu olhar. O meu beijo
Eram nossos corpos e os foguetes.
Era eu, os grãos e ano novo.

Era o meu ouvido. O teu susurro.
Eram todos os barulhos. Era minha escuta
A tua fala. Era minha boca:
Grudada na tua expressão.
Era eu doida. Preparando a lentilha
Servindo outras pessoas
E colocando o meu gosto
Mesmo sabendo
Que você não comeria aqueles grãos.

Era eu assim. Meio que de canto.
Às vezes de lado. Vesga e sem sinal.
Cortando o bacon. Os dedos.
E o coração também.
Às vezes pondo mais água
Aumentando as servidas
Mesmo sabendo
Que você não comeria aqueles grãos.

Era eu mexendo. Acariciando o caldo.
Provando o sal. Mais água.
Provando o sal. Mais água.
Provando o sal. Mais água.
Era eu. Matando a nossa sede.
Era eu. Não sabendo cozinhar
Sem ter a tua boca para degustar
E nem comer aqueles grãos...

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

noutro vermelho


Quando segurei mãos
Somente em cruzar dedos
Firmar-te como conforto
E não em segurança da minha solidão

Quando abracei corpo
Somente em fazer ponte
Firmar-te como caminho
E não apenas passagem de amor

Quando despi lábios
Somente em falar em silêncio
Firmar-te num diálogo
E não apenas beijar os teus!

Quando tirei meu sinal
Somente em sentir outro semáforo
Firmar-te noutra cor
E não apenas:
Parar o carro
Baixar o vidro
E te conhecer no mesmo vermelho!

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

esvaziar o miocárdio


 

Tento esvaziar vasos sanguíneos
Esperar um vento
Que os assopre
E carregue todo o sangue

Tento esvaziar as células
Esperar um meio hipertônico
Que as plasmolisem
E carreguem minha água

Tento esvaziar meu coração
Esperar um novo amor
Que me deixe louca
E que carregue as batidas

Tento esvaziar meu corpóreo
As válvulas, veias e artérias
Os vasos, as varizes e vozes
Tento me compor em corpo vazio

Tento, esvazio e faço a composição
Mas empaco sempre
Nas tentativas em esvaziar o coração
e não consigo ir adiante
sabendo desse meu primeiro amor
que entupiu minha veia cardíaca!


domingo, 26 de dezembro de 2010

05:00 am


Ainda no ato de  piscar cilios numa manhã escura e com os dedos fincados nessa máquina e com os pés saltando pela porta de casa! Bem acordada, afinal pra que dormir e esperar acordar com todo aquele enorme Sol descendo gotículas corpórea e um imenso feixe de luz que vem de porta e janela e vizinho e ruídos da cidade que deixam os meus sonhos acorrentados? Que assim eu faça. Que assim eu pegue o foco da minha lente e atire nas visuaizações do caminho e que também eu vá escrevendo mentalmente tudo aquilo que não me der vontade de passar ao papel. Que assim eu controle meus palavrões e putarias, meus desejos e privacidade. Que assim eu seja egosísta e escreva só pra mim. Já estou com a mochila costeando minha lombar e um pé do lado da porta, um dedo catando um milho e o outro desentopindo a bomba. Boa viagem pra mim e desculpe os e-mails não respondidos, pequei na distribuição dos ponteiros.

puta merda: aprendi a gozar!





















Perdão,
Mas puta merda!
Aprendiz a gozar
Não numa transa
Nem sexo
Nem nexo

Puta merda!
Perdão pra quem lê!
E pra quem escuta: não acredite.
Mas aprendi a gozar
Nem complexo
Nem perplexa

Aprendi a gozar
Num sentido de sentimento
Me orientando
A apenas me conhecer...

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

a música de natal

















E o sonoro natalino
Essas ondas que embalam
Alguma coisa por dentro
Que te comovem de algum lado
E você pensa como pode
Aquela música
De sempre
Trazer emoções diferentes
Aquela música
De sempre
Trazer planos com outra pessoa
Aquela música
De sempre
Trazer alguns quilos a mais
Aquela música
De sempre
Trazer alguma mudança na vida
Aquela música
De sempre
Trazer todos os parentes
Aquela música
De sempre
Trazer o beijo de alguém diferente
Aquela música
De sempre
Trazer bandeira branca na mente
Aquela música
De sempre
Trazer a saudade
Daquela idade
De que o Natal:
Não engordava
E que Amor era eterno
E as pessoas se casavam
E somente com o passar disso tudo
E de mais um pouco
Que você entende:
Que a ligação depois da meia-noite
Certamente, será nesse ano pra alguém diferente:
Um ano velho e um novo amor!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

cama, meia e pantufa!
































Vem deitar comigo!
ah, minhas coisas livres
sou um abrigo e o solado da pantufa!
quando o vento bate;
minha calça, nos bolsos estufa...

Ah, vem saber de mim!
dessa minha simplicidade
de quem faz amor de meias
pra aquecer os teus dedos...

Cheiro o teu travesseiro
e durmo debaixo dele
pego tuas meias
e ato meus cabelos

Ah, vem aqui comigo!
o espaço é pequeno
o colchão é meio torto
mas o ar é livre
e da pra virar cambalhotas...

Ah, diz que não virá
só pra eu implorar
e fazer reza
e promessa e juras
e a gente gozar...

do lado de cá



Opa, aqui estou do lado de cá depois de alguns dias ladiando por Ernesto Alves, trilhas, mato e desconectada do vento. Sem internet, telefone e nem cartas. Sei que estou em Santiago, com as mochilas ainda arrumadas, roupas sujas e com muita sede e ainda: em frente ao computador com muita saudade dos meus amigos blogueiros, reconectando-me ao mundo. Bora lá, do lado de cá!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Márcio Brasil lança 10 segundos!

O Convite:

Pessoas, o negócio é o seguinte: amanhã o meu amigo Márcio Brasil estará lançando o seu livro de contos "10 Segundos", recomendo muitos olhos pelas palavras dessa Obra! Alguns contos foram publicados na coluna do Jornal Expresso, mas muitos são inéditos. De imediato, convido para o lançamento do mesmo. E convido mais uma vez: Em segundos, até lá!

Blog do Autor: www.marciobrasil7.blogspot.com

Meu cardápio

Recebi essa Foto da Tainã S., a qual pediu pra eu fazer um poema, sendo que a imagem em questão já havia me inspirado para delirar algumas palavras e ela nem sabia disso!

Então, sem muitas borboletinhas, dedico um café nesse cardápio.





Meu cardápio

Eu criei
esse meu corpo
o centro
do teu pedido

Eu comi
essa tinta
em unhas
para reavivar
a cor do meu Café!

Sou a lombar desviada
da gravidade
e o repouso da sonolência
que me deitou nessa mesa
e me serviu a bebida da solidão!

E se eu dormi, meu perdão...
foi para guardar
uma Energia
no teu cardápio
Calórico!



Quer ser uma inspição para o meu arrastar de dedos? Mande suas fotos: camilajornada@hotmail.com

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Lançamento do livro do Márcio Brasil!


Nesta sexta, dia 17 de dezembro, às 20h30min, ocorrerá o lançamento do livro do amigo Márcio Brasil.

A obra "10 segundos" é uma excelente coletânea de contos do autor, jornalista do Jornal Expresso Ilustrado.

Destaco algumas palavras do Giovane Pasini a respeito da Obra do Márcio:


Tive a oportunidade de ser um dos primeiros a ter contato com os contos de "10 segundos". O leitor que adquirir a obra não irá se arrepender. Quem gosta de filmes, de entretenimento, esse é o livro ideal, pois o autor nos "conduz" como num filme (vários filmes) emocionante.

Giovane Pasini

Contamos com a sua presença!

E-mail do Oracy



Fiquei muito contente em receber essas palavras do grande poeta Oracy!

Camila, estou acompanhando teu Blog. Interessante teu "caminho: bagagem" é muito louco,  muito louco esse "sacanagem do leitor:olha só". Estão bons.

Recomendo: "ponto" de Oracy Dornelles

ponto

larga teus pássaros
menina
à curva do tempo
para um bosque de nuvens
 
 
vou consertar minhas asas
para te seguir
 
 
deixa-me apenas
mudar de penas
 
 
(Oracy Dornelles)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

talvez...

talvez eu seja alguma coisa boa
até eu começar a amar novamente.

talvez eu seja o teu caminho
até eu sinalizar o meu.

talvez eu já tenha morrido
até eu viver por você.

talvez não seja nada disso
até eu mudar de idéia
e  deixá-los
voar...

minha bagagem
















 Me engracei...
Quero ter uma mala firme
que possa ensacar algo solto
e que não perca nada
e me leve junto
deve carregar frascos secos
pra eu preencher com descobertas!

Me pedi...
quero ter uma desbotada
a pintura vai ser interna
e minhas mãos estarão lá dentro
pra finalizar o desenho

Me engrandeci...
quero ter uma malona
que acomode a imensa bagagem
somente folhas e lápis
pra me rabiscar do lado dentro

Me ajustei
quero uma mala com um furo
que foque somente uma pupila
pra eu poder observar
a liberdade lá fora
apenas com um olho...

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Sacanagem do leitor: olha só!



Poxa vida, está de sacanagem comigo!
Pega leve nos pedidos, leitor: escrever sobre o tão eterno amor que resolveu pisar em outro território e sumir diante de tudo e inclusive de você, me sufoca e arrebenta com minhas canetas. Pega leve! Pense em mim um pouco, talvez eu tenha aqui no canto do meu ser alguém que também preenchia esse lado. Mas tudo bem, vou me sufocar por alguns minutos e vai sair algumas palavras bem depressa pra passar rápido esse sentimento de partida que irei tentar sentir por vocês. Encaro esse desafio porque também sou um ser de produção de sentimentos, muito eficaz por sinal. Então, quando aquela pessoa foi pra outros lados, jogo nesse papel a vontade de ir junto, de querer voar sem ter nenhum ar próximo e por mais que você pegue o de seus pulmões: não consegue e ai que se sufoca mais, a sensação faz surgir do teu interior o que nunca havia se manifestado, o que você nunca tinha sentido, o que você nunca tinha feito e que simplesmente resolveu dizer: Volte, faço tudo por você! E tudo se manifesta, você fica doente e abobado, o coração dói, a mão dói, o pé dói, o cabelo cai, a unha não cresce, a pele resseca e você treme, mas treme muito e sua também, seu corpo fica doído por fora e por dentro e você sente o coração vibrando sem ritmo, sem compasso e sem suingue, o peito se fecha, o choro não vem, as lágrimas não escorregam e você nem suja lenço. Mas quando arrebenta por dentro, você vomita berros, as lágrimas ensopam a camiseta e você gruda a cabeça na parede e não entende mais nada, ah! E o soluço fica mudo e você se engasga... E você vai pra frente de casa e volta, vai pra fora e volta, vai no vizinho e não quer escutá-lo, vai no outro e não quer nem vê-lo e olha o relógio e fica acompanhando os segundos e você só tem pressa, pressa de sair daquele lugar, é querer sair de si, querer abafar o sentimento e não saber fazer, querer correr, pular e voar para enxergar somente aquela pessoa! Você se curva e enfia a cabeça no chão e ainda diz para si mesmo: pisa em mim, faça o que quiser, sou o teu ser, não sei nada de mim e essa dor não dói no teu corpo, só sabe doer em mim, ela é minha... Você não assimila aquele Não, e a partida não entra na tua alma, você quer somente aquele colo, o toque, o sorriso e o bom dia, você quer os abraços, os presentes, as datas, os lugares, as árvores, você quer a terra, você quer a cidade, você quer tudo de volta, porque o ato de sentir o querer é trazer para si o outro, é puxar tudo que lembrava pra começar a fazer mais história e poder ter algo a recordar que não sendo uma partida, você quer o chimarrão, você quer o enrosco, você quer os ciúmes, você quer a pessoa de volta e isso basta, mas você não tem mais nada: talvez nunca mais, e ai? Você liga e nem atende, você persegue e não encontra, você perde o rumo e cansa de chorar... Mas enfim, não existe mais ninguém para os teus dias, e quando vai, vai pra sempre e o eterno que era antes você também não entende e as histórias do príncipe e da princesinha que viveram felizes para sempre: você só tem vontade de queimar todos livros e deletar o pra sempre. Você beija as fotos e depois rasga e grita que não acredita mais em ninguém, nem no mundo, nem na pessoa que contou as historinhas de final feliz, nada e ninguém! Você quer berrar a palavra mais feia do mundo pra estragar com a garganta, mas você não consegue porque não existe e então o teu ser pensa em invalidar a vida, pois começa então a assimilar o luto e a perda torna-se real, e quando você sente na pele que nunca mais irá se excitar com aquele beijo: você que ir embora também, quer ir junto com o teu luto e quer ir com aquela pessoa que morreu pra você. Você quer seguir e assegurar o outro e simplesmente cumprir o que havia dito antes quando prometeu amor eterno, então você abraça a partida e vai e assim você acredita num final feliz, somente assim... Indo com o próprio luto e desejando felicidades para os dois!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

minha pós: trocar de canal


Estou me graduando em existir
porque eu tento nascer
sentar num sofá
grudar um glúteo
me acomodar
mas, creio em mim:
trocar de canal e sair do ar

Estou especialista em aproveitar
porque sou de momento
danço o som do chiado 
do canal errado
tento ajustar minha antena
mas eu não tenho bombril esfiapado!

Eu e minha pós
pra cursar
somente após
desconectar minha emissora
te beijar num canal de TV
e deixar sair na impressora!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Saúde pra eles

Aos aniversariantes em questão: Márcio e Tainã, muitas felicidades e saúde e saúde e saúde! Eles comemoraram o aniversário no Sábado (04/12), na Batfesta. Não pude ir, mas fiquei me mordendo de vontade e depois que olhei as fotos me mordi de verdade!

















Saúde pra eles

Márcio com laço
Que amarra a Tainã
Tainã com a canastra
Que lança no Márcio

Márcio mais velho
Que envelhece a Tainã
Tainã de mais idade
Que moram na mesma Cidade...

Tainã é blogueira
O Márcio também
O Márcio está de aniversário
E a Tainã já fez!

Então, meus parabéns!!!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

E-mail recebido da Martha Medeiros


E-mail que recebi da escritora Martha Medeiros:

“Querida Camila, gostaria que me enviasse a tua obra para o Zero Hora, aos meus cuidados. Obrigada e sucesso! Beijo da Martha"

Fiquei muito contente em receber palavras dessa magnífica escritora e inspiradora de muitos Seres!

Recomendo: [FORA DE MIM, de Martha Medeiros]

Descreve o sentimento de perda comparados a um acidente de avião “percebem a perda de altitude, a potência enfraquecida das turbinas e o desastre iminente, até que acontece a parada definitiva da aeronave, (...) e sobe do chão um silêncio absoluto, (...) a quietude amortizante de quem não respira, não pensa, não sente nada ainda."

"Não resistirei. Sei que está tudo errado e que o sofrimento me alcançará a cada minuto (...) Não tenho mais forças para lutar contra o que se declara gigantesco em qualquer ser humano: a pulsão da entrega"

É pra ler e chorar: com certeza voltará a Amar, mesmo que não acredite nisso Agora!


poema à camila (ORACY D.)


poema à camila
 
de que mundo foste exilada
de que Syrius
de que Capela
ó
fragmento perdido de  quasar --
para este grãozinho aqui  ?
 
 
sinto paixões exóticas
inter-controláveis
ocultas nesses teus max  cilares
que trituram dimensões quintas 
 
predestinada de luz
tens tristezas e saudades-saudades
dos mundos lá de cima 
 
vejo isso
em teu riso demais
pelos  cinco sinais estelares de teu rosto
bonito
e torturado
 
                                           (ORACY DORNELLES)
              

domingo, 5 de dezembro de 2010

Devolvendo cada pétala


Um dia deixarei de me seguir
borrifarei meus passos
e tão minhas fortes pisadas
só pra vocês saberem pra onde fui

Um dia eu vou embora
e na alça da maleta irão
algumas de minhas forças
carregando todos de uma vida...
e no interior dessa malinha
não irá nada;
porque na volta, trarei flores a vocês!

Eu me direcionarei noutro lado
nem foco e sem me avisar
só pra não bagunçar minha agenda
e subir sem saber
pra esquecer algumas coisas de mim
e voltar pra me buscar!

Eu nem sei,
sei que ainda irei
Pra esse mesmo momento
Que um dia já presenciei

Eu nem sei,
mas vou sorrir e fazer biquinho
e beijar Rosa por Rosa
devolvendo cada pétala a você!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Um coça-coça

Divino me coçar. Porque quando faço: me sinto mais na pele e a sensação é tão boa que você nem sabe aonde se encosta o fim de um coça-coça. Convenha, eu só paro de esfregar minha derme depois que eu entupo as unhas de células, eu me esfrego e esse momento só pede mais dos meus dedos, eu não to nem aí pela vermelhidão, eu começo a me apaixonar pela irritação, adoro me irritar e sentir nevralgia. Eu tenho uma facilidade de falar do que me deixa inquieta, porque são coisas que me largam de língua frouxa. Mas sou um tanto egoísta, somente eu tenho essa liberdade de me invadir, mas até que eu gosto que me vejam roendo unhas e ainda mais quando que finalizo com um bocejo, eu acho uma graça porque elas forçam um abrir de bocas só para não me deixarem sentir a bocejada sozinha, divido isso tudo! Ai chega, to me achando solitária e me quero permitir um pouquinho: me coçando por ai...

*Trecho do Conto: minha coçada; um coça-coça!

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Meu sinal

II Fórum Latino-Americano de Literatura Contemporânea



Data: 14, 15 e 16 de janeiro de 2010 (Sexta, Sábado e Domingo)
Local: Câmara dos Vereadores de Santiago (Santiago - Brasil)
Investimento: R$ 20,00 (em torno de 40 pesos)
Certificação: 25 horas - assinado pela Casa do Poeta de Santiago e Centro de Integração Latino-Americano
Informações e-mails: gpasini@ig.com.br ou casadopoetadesantiago@ig.com.br
(Inscrições ABERTAS - na Casa do Poeta de Santiago, Silveira Martins,1432)

Dentro de poucos dias lançaremos os nomes dos palestrantes e assuntos!

Também divulgaremos os apoios e parcerias!

Por favor, auxiliem na divulgação!

sábado, 27 de novembro de 2010

O teu Conto

Acordei com uma dor que era somente minha, era de mim e sabia doer só nesse corpo. Ergui meus cílios e sentei no sofá, havia feito minha madrugada naquele desconforto sobre duas almofadas que afofaram meus pesadelos. Imediatamente enlouqueci e cuspi de mim a vontade de gritar, de arrancar essa dor, de fazer dela poeirinhas de liberdade, ciscos de tranqüilidade e coceiras de paciência. Então, me fiz de boba e desobedeci a mim mesma, quis me atordoar mais um pouco, mas bem rápido pra não doer muito. Tirei um pulo dentro desse eu, me desgovernei e comecei a espichar minha elasticidade até escutar os estalos das articulações, me alonguei de uma forma que surpreendeu minha altura, sendo que naquele episódio turbulento e de total descontrole: senti um lado anestesiado de mim que me fez crescer mais um pouco. Era uma Dor, perfeita e que calava qualquer língua, intensa e confortável, acho que porque era de mim, todinha minha, e eu egoísta com ela Sim. Mas, no meio dessa gana de erguer músculo, de me atirar pra cima, de subir com todo corpo, aconteceu algo de cessar movimentos respiratórios, aconteceu algo de tirarem de mim por doida, mas é verdade nesse meu devaneio: de tanto que me espichei acabei arrebentando com a dor, ela se estraçalhou e se foi por aí, se largou e zuniu dos meus poros e não disse nada, apenas foi calada. Mas era minha e fiquei de cara, consegui pensar então em outras coisas que me relatassem tudo que doeu nesse tempo como sendo uma outra parte de mim, talvez um pedaço que estava preenchendo esse meu lado torto e impuro que me fazia bem, até que ponto eu não sei, mas a dor era minha e eu estava vivendo contente por aquele canto... Quis então, me soltar e não sentir nenhum peso, quis fugir de mim mais leve, quis grunhir uma vontade de me largar no vento, quis voltar a mim apenas para sentir e sair fora do meu presente, sendo outra pessoa...E o mais importante do que veio a mim com a fuga desse meu outro lado: a gana de rabiscar o acontecido, de me rasgar em papel tudo que havia sentido, de arrancar de mim palavras imperfeitas pra poder ler alguns versos e conseguir sentir tudo novamente, quis fazer isso pra nunca mais perder essa sensação que foi somente minha... Então, comecei a escrever sem nenhum princípio, sem saber esticar, alongar e pontuar palavras, mas eu comecei apenas cuspir de mim sentimentos... Não tive nenhum sentido que me levasse ao início das escritas, porque aquela dor já estava empoeirada e eu não conseguia senti-la em algum começo. Então eu resolvi não seguir nada, não existiu o que se basear e nem o que comparar pra começar a sentir esse voo que fez parte do meu texto e da dor. Desobedeci minhas rédeas e me habilitei em seguir uma estrada, sem semáforo e nem esquina, sendo apenas eu me sinalizando e discutindo em mim esse lado que já não era Eu, esse lado então que resolvi escrever... Eu apenas engatei sei lá que marcha e peguei um impulso numa curva e me fui, mas me fui bem longe e quando eu senti a tua falta eu comecei a travar, pensei que ali estava o princípio, me irritei ainda mais e me desviei do que eu sentia, parece que o carro tava afogando e eu ficando mais lenta, parada, pálida e por si só, mesmo sem princípio nenhum eu me fui e ainda, largando poeira apenas lá atrás, às vezes eu erguia o capô só pra tomar a água do radiador, porque a tua imagem me secava quando eu estava voando naquela estrada de chão e fazendo algumas poeiras. Eu estava subindo e quase que sem freio pra puxar os limites e você desidratou este corpo e eu tive que parar no meio do caminho. Então, fechei os olhos e meti goela abaixo aquele líquido a fim de que eu andasse mais um trecho e fizesse de mim sem o teu princípio, sem o princípio que era você, sem sentir você para que eu pudesse seguir adiante e continuar procurando o início da dor, pois não tinha que terminar ali a procura, não tinha que ser você toda aquela dor... Resolvi descer do carro e quando me olhei no espelho não vi mais eu, eu não via mais nada, era eu nua internamente e empoeirada, aqueles olhos não me pertenciam e eu estava visualizando o que o meu Eu tinha sido lá atrás e assim ele enxergava algumas lembranças de quando a gente se amou e também restos do que foi poeira deixada pelo meu afogador e tudo isso me fez ser outra pessoa que nunca mais Eu e me fez analisar todo e qualquer tipo de Ser que não Eu... A partir desse instante coloquei meus óculos e passei a ser leitora das minhas palavras, leitora de você, dos teus passos, da tua significância e plenitude, e mesmo sem ter a certeza de que foi você o princípio, as partículas foram de um aquecimento, e então comecei escrever ainda mais , mesmo que no meio da estrada que sem asfalto, mesmo que no meio do caminho que não o nosso, mesmo que sem saber mais nada de mim... Era um carro todo encatarrado, sem compasso e nem suingue, mas eu estava curtindo saber mais dele... Comecei a me secar por dentro, querendo te deixar sem nenhuma água, querendo que você ficasse quieto por muito tempo, querendo não te sentir nenhum pouco, querendo hibernar a tua pessoa, querendo que não fosse o princípio... E assim, tirando todo meu líquido e salivando num trapo de pano eu ia limpando por fora, limpando qualquer coisa e ao mesmo tempo esfregava o trapo na minha pele a fim de achar outro caminho, a fim de resgatar outra estrada, a fim de me reinventar noutro lado... Mas não se via mais nada e só de sacanagem eu parei no meio da pista, desci do automóvel e sentei no capô, me espichei até empoeirar todas minhas roupas, até sentir o gostinho de poeira de chão, até salivar mais um pouco e amar ainda mais aquela sujeira, me revirei toda nele e me atirei pra dentro novamente, indo no tranco porque o arranque era só de sujeira. Então, me entreguei a mim mesma e fiz questão de resgatar o teu Ser, te carreguei nos meus braços e do teu corpo apenas limpei o coração, com o mesmo trapo de pano, encostei o teu corpo no banco traseiro, ajustei o cinto de forma suave e te deixei com uma rosa entre os dedos... Beijei seu rosto, fechei a porta, joguei meu corpo pra estrada, mirei uma descida e puxei de mim toda coragem que me fez um indivíduo quando empurrei o carro levando o teu Ser, me aventurei a certificar-me daquela Dor...

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Só pra cuidar de mim!



Eu quis dormir em mim
Fingir que era sono
Quis sair na tua boca
Pra mostrar minha liberdade

Eu quis me conhecer
Fingir que não me entendia
Quis ter alguma certeza
Que me fizesse decidida

Eu quis espirrar no espelho
Fingir que era virose
Quis ter alguma coisa
Que fizesse você cuidar de mim...

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Valeuuuu torcida!



Lá vamos nós. Em primeiro arrastar de dedos, gostaria de pontuar alguns sentimentos que estão sendo expulsos pelo meu grafite. Tenho a quem agradecer todos esses momentos de abrir lábios e apenas continuar com eles abertos? Minha gana de escrever diz muito mais do que sim, diz além, ultrapassa minhas vontades e eu me devoro por dentro e carimbo o que estou sentindo por fora e, então assim eu me assumo como alguém que ainda não aprendeu a escrever, talvez seja a parte mais importante que me mantenha firme na segurança de um verso e um tanto meio que desobediente com a borracha. Aqui eu resolvi fazer algumas linhas, e quando lerem o meu ponto, quero que entendam isso como sendo as reticências do que vocês quiserem, mas tem que ser de poeiras boas, de gente boa, de indivíduos humanos e de Seres também. Vamos lá, eu explico: estou falando de pessoas que eu ainda não consegui um nome para caracteriza-las, pois não existe e se existe: eu já tenho o conhecimento, mas essa palavra que nunca sai é a que me faz não saber escrever...

Pessoas Sem Nome, obrigado Eu! Estou fazendo nesses instantes alguns lembretes reflexos do que for emoção: Casa do Poeta de Santiago: moradores e vizinhos, sócios e amigos, frequentadores e colaboradores... Enfim, cada membro daquele ambiente, contexto e esquina de trocar palavras, sugar felicidade e se embriagar de poesias. Tive a oportunidade de conhecer mais um pouco de cada indivíduo, de observar cada empenho, cada suada de rosto e molhar de camisa: o esforço de todos durante a Feira do Livro, o sorriso e abraço de cada bom: bom-dia, tarde e noite, de cada encontro: Oi novamente, alegria e alegria, como diz a Lígia...

Foram vários lançamentos de livros, obras que inundarão nossa Terra de orgulho: Em 10 Segundos é descoberto o Segredo do Sucesso em cada Faces de Ser, sendo que a Espiral e o Caracol é um Descaminho de certo tipo em Mosaico Laico, o que reúne em alguma Coletânea de Matérias, saindo da Casa e visitando leitores...

Quero ter a oportunidade de ler todas as obras mencionadas nos meus trocadilhos. De imediato, sai desses meus dedos mais um pouco de mim: Pela primeira vez, tive a satisfação de conversar pessoalmente com o Poeta Oracy Dornelles, foram alguns minutos que trocamos horas de palavras e destaco a sinceridade e tranquilidade que ele transmitiu a essa pessoa aqui e também agradecer os livros autografados que o Poeta, gentilmente, me ofereceu.

Agradeço também ao Cláudio Irion, por me considerar a mais nova integrante do Time da Terra dos Poetas. Mas, nesse time todos estão driblando para a mesma trave, sendo que a bola não é redonda por nada e sim é para que todos tenham a oportunidade de vê-la quicando em cada chute, arremesso e jogada, desafiando a gravidade. Temos juízes sim, os que nos mantém sempre firmes e direcionados a algum objetivo, temos a base mais importante dessa jogada: a torcida! É ela que nos impulsiona a arrancar versos do coração e escrever na própria pele, obrigada pela torcida de todos vocês:

Giovane Pasini, Tainã, Márcio Brasil, Roseli Antunes, Karlinha, Vanderlei, Janice, César, Oracy, Lígia Rosso, Cláudio Irion, Fernando Porto, Júlio Garcia, Olívio Bochi... Enfim, meus colegas da URI, amigos: Jhon Lenon e companhia e família! Aos blogueiros: Rafael Nemitz, Júlio Garcia, Sol Barreto, Suzzy... 

Obrigada Eu, Gooooooooool! Valeu torcida, valeuuuuu!!!!!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Fortes da Feira

Pois bem, fim de feira. Mas, com certeza: As Janelas e Portas continuarão abertas... Foram dias emocionantes, movimentados e diferentes e reticências...

 Autografando para o Eduardo.

 Eu e o Gabriel

 Autografando para o Cartunista Santiago

 Oracy D.

 Eu, Tainã e Rose

 Eu e o Fernando

 Lançamento do meu livro na Feira

 Autografando...


 Eu e o Jayme

 Eu e o Varcil (vô)

Eu e o amigo Olívio