aos dias de pôr, próxima aos do nascer

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Então eu resolvi...




Resolvi fazer alguma coisa
Um tanto meio que em atraso
Ou um tanto meio que na frente demais...
Mas resolvi fazer,

Então eu me resolvi
A sair por ai independente
É, independente...
Do teu sumiço
Desse suicídio temporário
Independente dos meus passos
Independente do quanto eu fiz pra você ir
Independente de quantas brigas tivemos

Resolvi ficar independente
Sem olhar minha idade
Sem olhar quantos anos faltam
Sem contar quantos anos já passaram
Sem fazer nada

E simplesmente ficar assim:
Independente dos meus versos e dessas rimas
Que quando acontece é por acaso!

Resolvi ficar bem assim nessa indepen...
Livre do que me afunda por angústias
Então eu resolvi olhar pra outro lado
E deixar a justiça pensar nela mesma

Resolvi perder essa dor que até então abusava de mim...
Sendo bom,
Resolvi carregar
Tudo que for leve...

Resolvi beijar mais a mim,
Sem deixar de lado outros lábios...
Resolvi acreditar numa única força Eterna
Somente Uma: Deus

Resolvi ser um milagre por tua partida...
Resolvi comprar uma bicicleta
E continuar andar
Pedalar...
Girar essas articulações...
Em equilíbrio, em movimento...
Resolvi ser o lado significante dos meus dias...

Resolvi fazer o que sempre quis
Ser feliz!
Independente de...

Querido Coração! Obrigada por estar funcionando independente de ter ou não a quem Amar!

que ternura



Um ser por ai livre
Que encanta e envolve alguns docinhos
Podem vir, esse é meu convite
Respire comigo
É um cantinho
Mas cabe nosso mundo
Borboletinha
Lapida mais cores
Adoça esse sabor
Ai, guriazinha!
Que se enrosca nessas ternuras
E vira essa terrinha
Plantando suas florezinhas....

Inauguração Casa do Poeta

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

uma Coisinha assim

e eu, o que sou?
essa cor aqui
bem aqui...

desse ladinho meio torto
de um rosto quase formado
de um pensamento variado
de gente boa
que está ai pela vida
e sorri do que não se sabe
que vai e volta em partidas
e sente muita e muita saudade

e eu sou uma poeirinha
que às vezes sai por ai
polinizando algumas flores
sou aquela que corre
pula e joga bola
saio pra dentro, apavora!
que baba no travesseiro
que desenha homenzinhos
palitinhos, palitinhos!

eu aí.
uma cor bem aqui.
aceito os pequenos pecados
sou assim
um tanto tudo
às vezes um tantão nada!

o que Sou de você


Era lindo, forte e sangrento
eu não sei dizer como foi
não sai nada pra frente
piedade que eu tenho de mim
me perdoo naquilo que mais amei
me cegava por nossos beijos
percorri todo esse meu corpo
adentrei em todo lugar de suas formas
me culpei quando disse pra eu viver só
Sou a fraqueza de mim mesma
fui o impróprio da história
fui eu que adiantei o eterno
fui eu que afugentei o muito depois
fui eu, foi por mim, fiz pra viver mais...
está sendo eterna agora, a perda
fui tola, boba e desgovernada
fui mulher pros teus dias
fui o que você quis ser
fui os teus dias
fui você
por isso
Não sou
Nunca mais Eu
Eu estou no Teu mundo
Sou a leveza dos teus passos
Sou o teu nome
Não sou nada pra mim
Sou a existência apenas em você!
Talvez seja a sobra do que jogou fora...

sem mais fumaças
sem mais comentários!
no início dói...
mas depois passa,

foi por mim
pelos meus dias
pra eu viver mais alguns anos mais sábios e saudáveis...

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

É parafuso!

Analiso e envolvo toda minha concentração
e perco cabelos e tiro a tintura
e ao mesmo tempo eu não entendo mais nada
e eu fico enlouquecida tentando fazer alguma coisa
que não sai da arte de pensar e eu analiso novamente
e pinica minhas idéias e surgem milhares de coisas
e agarro todas e nem uma sai direito,
aperto pra todos lados o que fica frouxo no outro dia!
É parafuso confuso que não sabe se enroscar
e quando fixa alguma coisa se apavora
e sai correndo e não segura mais nada
e larga toda a beleza assim:
apenas num giro, cospe e salta fora...
É parafuso!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

O que Separa


... Esse rompimento talvez esteja engatinhando, nos empurrando ao início. E tudo isso que separa a nossa distância, pode falhar... Resumindo essa razão que não consegue evoluir um afastamento: blefar tudo que nos separava... Talvez o que separa é a porção mais forte e ainda pode ser considerado o alicerce que nos mantém conectados e cheios de vigas. Um, dois, três... E assim vai e muitas vezes vêm! Vem um dia com três brigas e dois médios lindos sorrisos, vem nosso passaporte naquele beijo e vem também o que não sai agora! Eu acho tudo isso bacana e eu não me importo que a gente se estranhe diariamente, depois vem também as desculpinhas, em algum lado, e eu concordo que esse clima coça minha espécie que explodi minhas alergias... E tudo isso que nos separa é fantástico, quando a gente se encosta não liga mais pra nada e se torna tão rápido e automático que eu já nem sinto mais de tão ligeiro... Capaz, ás vezes eu sinto sim essa barreira que nos impede de avançar umas alianças! E são muitas coisinhas que separam, ficam roendo e roendo, muito bom... Um dia vai estar tudo corroído e eu não vou lembrar nem que existiu barreira... Mentirinha, vou lembrar sim... Mas o que pode passar sem lembretes é a constituição da parede. E tudo que nos separava e que nos separa e que irá nos separar, meu caro: tenho a gentileza de comunicá-lo que tudo isso e o resto também, vão dar casamento!

 C. JORNADA
*nunca mais Eu

espelho, espelho Teu

Diante de sua imagem, encare seus julgamentos,
Depois coloque os óculos e pergunte a si:
Sem óculos, quantas pessoas já mal julguei?
Fala-se de educação, visão e coerência...
Não move a capacidade e reconhecimento de duas necessidades...
E ainda, quer determinar as carências de um povo!
Ajuste a armação diante da sua vida!
Enxergue a verdade, segure-a!
Foque as lentes que convergem ao espelho!
Usando óculos, enxergarás seu caráter!
Sem eles, não tenho nada a dizer!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

vem com Tudo e tudo Junto!


 E as coisas vêm com tudo e tudo junto!
então desacelera e ai que me capota
vêm zunindo e desbeiça tonéis de cargas...
e me gira e ai que perco a tontura,
pasma pálida sem pintura...

retorce algumas coisas aqui por fora
vem com tudo e tudo junto
pinica minha língua, bem pelas pontas!
perco as papilas gustativas
os pêlos auditivos
me lavo sem sentidos....

Vem com tudo e tudo junto!
Mal trata todo toco de indívíduo...
Sem prestação e nem perdão
Nem por prazo
Por prazer de testar as prioridades!

Vem com tudo e tudo junto!
Desacelero e ai que me capota!
Mas dou uns guti nessa água
Sem querer alguma sede...
Ai que me abasteço pra crescer em algum lado...
Eu não sei, mas devo ter me surpeendido quando desceu aquele café com leite frio, mas desceu sem ao menos beber o que era branco, mas desceu...

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

*nunca mais Eu

...e acham que a gente à toa é dos outros, mortais que se enganam: muito mais à toa perdida em mim do que por aí trocando lábio! O tempo parece que deu uma erguida muito forte nas crenças e palavras que até então eram da boca pra fora dos outros, e que a mim uma cegueira frente o amor. Ele surgiu nesse vento forte e talvez muito rápido, tirou minhas culpas do centro da gravidade e misturou a dor que até então era somente dos meus nervos! Arredou a fogueira que se alimentava das minhas dores, doía tudo somente por mim, doía tudo aquilo que era Eu... Mesmo assim eu me aceitava impura e também correspondia um perdão!

C. JORNADA
*nunca mais Eu

sábado, 21 de agosto de 2010

Um osso de aço


e está queimando alguma coisa
mais fumaça: não quer sair...
e esse resgate não vem me puxar,
fincou em mim mais que uma dor,
muito mais que nada...
apenas uma perda!

E está corroendo esse osso de aço
perdi meu único hipotálamo funcional
ecoa essa voz dentro das cordas
martela minha tolice,
aguça outro dever...
reencontrar-me novamente!

Rasga esse couro branco,
que saia o que for vermes pelos poros...
aprisiono a bicharada lá fora!
absorvo o que me nutriu nesses meses...
e cresço mais um pouco e mudo de voz!

cadê eu?


Repousei nesse sono anestesiado
cansaço mental, abafando o resgate!
prensei o impulso na coragem de levantar
e esse vento de frente arrastou minha língua
esvaiu e carregou tudo por trás...

Arredei esse peso morto, carreguei...
caiu dentro da minha sombra
puxou-me,
mergulhei no que é Luto...
afoguei a visão e adormeci...

solucei no escuro, chorei por mim!
gritei meu nome,
tentando me encontrar
cadê eu?

Aonde fui que não quero voltar?
Devo estar retornando para Casa,
indo pro meu Mundo
que não mais o Nosso!

Nunca mais Eu aqui...
to por ai, 
levando o meu luto!
...e o medo do Fim é ter certeza diante da parede que separa o término: talvez não esteja sólida o suficiente para que as cicatrizes sejam apenas marcas, apenas desenhos sem nenhum tipo de sentimento, apenas elas sem o conteúdo, sem nada, somente uma poeira que resolveu baixar...

C. JORNADA
*nunca mais Eu

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

nunca mais Eu



Sim, ele acabou e ainda estou nessa existência. Eu fico pulando e falando demais desse nada, do branco e do que foi colorido. Tenho motivos que possam embarcar num fim de mundo e virar mais alguns átomos saltitantes. Talvez esse voo me largue no que ainda posso conquistar, naquilo que ainda não veio e pode ser também que leve o que pesava minha lombar. Parece simples sorrir pra todo mundo, aos animais, a essa biodiversidade e um tanto ridículo e mais complexo falar do que um dia foi intenso, profundo e maravilhoso. E esse fim entrego aos meus dias constantemente, canso de enterrar minhas mágoas, angústias e lembranças. Essa mão se tornou mais pesada, cavoucar e solidificar o que se não quer enxergar entre memórias abisma meu sono. Não mais... Nunca mais nós, não mais... Nunca mais você, não mais... Nunca mais eu... Nunca mais a mim entrego a imaturidade banal, imperdoável e ridícula! Assopro entre gritos tudo que for doce, cuidando a repugnância das fumaças, vivendo muito mais só do que confusa, vivendo muito mais esses últimos dias do que uma vida inteira junto a ti...

C. JORNADA
*nunca mais Eu

no Consultório

aquela partícula
redonda e iônica
afundou-se na cadeira
veio ser mais um paciente

largou todo peso da fadiga
estalava a língua e os dedos
recurvou-se entre nós lombares
veio ser mais um cliente

aquela instabilidade
virou pó entre fumaças
salientou o silêncio na cinzas
gaguejou a poeira do Le cigar

não movimentou cordas vocais
largou-se no peso cervical
escondeu a cebeça entre o peitoral
camuflou o rosto entre tragadas

lá fora a chuva sentou em calçadas
o indivíduo levantou uma pálpebra
repuxou a face
rasgou cutículas
resmungou baixinho:

"Só queria amar um pouco menos seus dias"

....

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

e que se Vá!

então eu liberto, atiro e saio por aí em pulos,
e que se vá!
existe muito mais vida lá fora,
biodiversidade, fauna e flora...
e que se vá!

então eu fico mais solta, rosada e doce,
e que se vá!
lavo em jatos o meu dentro até vazar
existe muito mais curiosidade lá fora,
e que se vá!

então eu corri, girei e joguei guitar hero,
e que se vá!
existem muito mais presépios pra montar...
eu quero falar mais desses Céus numa gruta
e que se vá!

eu acho que a gente deveria começar a viver
e que se vá!
comer, engasgar e engolir...
e que se vá!
e que se vá tudo aquilo que não desce...
e que se vá tudo aquilo que for barbudo cheio de voz...

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Fazer o quê?
O CEP é o mesmo...
mas eu moro mais perto dos Correios!

mas Reinventei...

Reinventei essa coisa que não foi criada
mas reinventei...
talvez pensando no que foi experimentado
talvez no que se deseja ressuscitar

Reinventei o resgate do que foi pra sempre
reinventei o muito antes em nós muito mais tarde
mas reinventei...

Reinventei o que surgiu junto nessa fome
reinventei essa coisa que vem me visitar
talvez eu reinvente outro mundo em nós

mas reinvetei esse outro poema
e ele esconde uma palavra...
eu vou ali e volto por si só
eu vou ali e não mais volto por nós
por um dia ofegante, ainda não...

Reinventei mais uns pingos faciais
reinvetei estranhas palavras pra ficar quieta
mas reinveitei... pra ficar na minha!
mas reinventei... a fim de viver meus brancos!

e criei o que todos sentem...
novamente essa coisa que me afoga quando foi embora
entao eu reinventei e até criei algo mais
talvez a cura pra minha felicidade,
reinventando suas lembranças entre saudades...

mas eu a fiz,
mas reinventei...
o que todos ja sabem!
Reparei o que havia repicado, retorcido e rejeitado... 
Revivi e regredi ao mesmo ruído do passado! 
C. Jornada
Eu vou ali tomar um gole de paciência e depois eu volto com a vontade de tomar um porre da mesma solução... C. JORNADA

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Inteireza dos Sonhos

sonhos que surgem dessas sobras
sabem mais soluçar entre sorrisos
surtam minhas verdades desse eu verdadeiro
são soltos em sequências das sinapses
sorteiam o meu Sei sobre suas faces
reSgatam uma inteireza do que Sou...

sonhos que sabem dos sentidos
sagradas soluções do sulco de sentir
suaviza os sintomas do que sinto
seguem suspensos entre meus instintos
reSgatam uma inteireza do que Serei...

sonhos suspeitos dessa vontade
sobem nesse sentimento que assumo...
o Seu Serei,
sonhos suspeitos do que Sou...

agora Vai

vai esse objeto,
talvez não era propriamente esse palavra
mas vai esse objeto...
são coisas miúdas com sentido
o pior, macias e sensitivas

mas então foi esse objeto
era um gosto que bebia azedo
não era bem isso que se levantou
ou talvez o significado ficou deitado

vai, nesse grito irritante
sem dor, nem as sombras
vai entre esse perdão
leve um tanto do que nunca conquistou
deixe-me com o resto
reconstituo-me pelas sombras..

vai,
some!
e ignora o que for sonho..

por uma Taenia solium

palavras de uma aula de parasitologia

sofro de agrados gastronômicos
regurgito nossas proglótides adultas
foge entre retorcidas pedaços de ocelos
prolifera no suíno um abuso intermediário
escapa em labirintos entéricos
faz passagem a nossa Biocenose
e eu destrato minha higiene
deixe-me assim num foco natural...
deixe-me completar o teu ciclo...
metros por ti!

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

respingos de uma cor

então apague a pupila e sinta o suave
podes pulsar quando o som guiar o puro
esse leve existe: quando tudo surpreende
um voo que não sobe e que não fica

diga o que te condiz
não enterre o que faz limitar
alma é além dessa sombra de costas
ser humano: deite-se na rede e balance!

fazendo essa pedra resgatar um fisiológico
jatos daquele óleo essencial que fazem
os rostos por respingos, aromático!
mas e essa brisa que atrofia e não vê mais?

então,
toque nesse ar que não te leva
sinta o que ele suporta carregar
confesse sua leveza e ria
lá no monte,
bronquíolos rarefeitos
aos anjos, eu fiz barulho:
uma mixagem de tudo que sempre quis...

sábado, 14 de agosto de 2010

e na verdade eu estava começando a engatinhar lá no céu... 
e essa verdade de ser anjo fazia eu andar sobre meus pés... 
e parecia uma coisa tosca que desfocava meu entender...
C. Jornada

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

ou não mais

Então não seria mais essa pessoa, não mais...

podem odiar o que escrevo de longe ou
unirem-se no que digo, uma alma confortável...
não mais seria essa pessoa na ausência do que penso
não mais assim turbulenta e arrependida,
simples assim como em sinceros abraços
não mais eu, caso deixasse de gotejar uma lágrima
não mais eu, mergulhada nas tranquilidades
e assim eu digo, um tanto amarga e sem açúcar
e quando houver mistério, exista eu aqui...
então assim deve ser, ou não mais dentro de mim...

gene egoísta

humano: máquina de sobrevivência egoísta
não sou um, trabalho pelos meus gens
me afundo em reflexões densas
fórmulas matemáticas,
em análise dos que falam...

não existem mais conceitos delicados
humano: decifre suas bases nitrogenadas
o gene é quem comanda, o meio abastece!
perpetuar-se em rigor do mimestismo, um ser...

qual é a máquina mais eficaz?
foi um dia a camuflagem...
processo competitivo apurado
no resgate e no abuso
subiu no teu próprio habitat, crueldade!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

câmbios

Nessa parapsicologia selvagem,

Mato crespo que reina em noitadas
Ilusão peristáltica que sobe mais que desce
Deus, já invadiram os controles do meu estranho!

Alicerçada pelos desvios descontrolados
Pupila que trepida o meio televisivo humano
não pode tanto assim, rapidamente ver
meu sublime das ciências congêneres...

afoita nesse abismo da vida, por si só
faminta em devorar as físicas quânticas
cortejo suas letras: você é estranha!
Propagandeio esse oculto entre meus contatos...

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

tempos Imemoriais

Leva esse rastro que encosta meus dias
catalisa essa exploração espacial
exprime a ufologia dos meus ânions
vejo minhas ventosas diluídas em tais
experimentos embarcados em balões estratosféricos!


não descarto a priori das vertentes místicas e holísticas!
desde que eu sente no sólido e na seriedade do critério...
e os que voam são os discos!
perdão, minhas aves: asas da evolução...
imploro Alienar essa evidência legítima!

Atendendo aos mais inconfessáveis fins...

o que mia

Lateja esse miocárdio que pulsa entre vasos
amedronta nossas válvulas que espirram o córrego
e eu detono esses gatos que latem a raiva dos vira-latas!
não mie nas esquinas principais de nossas casas!

Essas larvas confinam o princípio de uma nova borboleta!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

até pode

até pode ser que eu venha tropicando aonde deveria desfilar
mas esse tropeço parece um soluço
e eu muito bem sei me desafogar, mas não é um refluxo
talvez um sorriso que não ri de nada,
nem ao menos mostra os dentes...
até pode ser uma fase da evolução dessa mente
mas esse enrosco que me engasga e me faz chorar
e esse peito não amortece mais essas gotas
e eu cuspo por dentro o que deveria esvair
até pode ser um relâmpago que talvez faça eu tombar
e eu me desgoverno nesses instantes de enrosca-pé
e esse papel que eu repico é mais fraco do que meu café sem açúcar
eu tropeço nesse tombo pelo mato que já foi queimado!
e eu perco as setas que me levam a nenhum sentido...
tenho que me engasgar mais com espinhos,
e não mais soluçar esse vapor humano!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Esse campo

Não sei dizer...
Talvez o que não sai é o mais importante!

Esse abraço que adoça o que existe
E o campo que afofa os brotos petalados

Espetáculo é o que faz parar...
Seja o que não sai,
O que não existe,
O que não mexe,
O que não fala!

Espetacular é o íntimo...
Do que não sabe,
Do que é segredo,
Do que é guardado
Do que for lembrança!

Espetáculo espetacular:
que seja um balanço!

O frescor desse vento joga
o que não digo,
o que não sai,
e leva tudo o que for pensamentos
e deita aonde não for gravidade
e eles flutuam e embalam as folhas
e essas desfilam e dão tapete às calçadas
e essas sustentam o que não sei dizer
mas alimentam o que posso pensar

campo, frutas e flores,
calça moletom,
calçado de pelúcia
pantufa!

E a aquele que derrete o que for mágoas:
Ele, nosso Sol...
Saladas!

Me afoguei no vapor desse café. Cadê o açúcar?

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

sábias seduções

Doces beiços desgovernados malandrosos
Renasce sem esforços entre as faces maliciosas
Vigora minha cor por formas purificadas
Amortece as sombras naquele som cinético

Doce boca picante concentrada
Borbulham desejos solúveis salgados
Incrementa a coesão calórica corpórea
Abstrai a mescla magnífica de murmúrios

Doces vezes de vozes entoadas
Atormenta o sabor solto das cinturas
Retorce meu peito nessa paixão pura
Escapa o frio e cobre minhas feridas!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

meu tic-tac

Então o tic-tac me assusta,
Devora e anseia meu sono
Talvez refém do cronômetro
Um dia, ao menos um bônus?

Tempo, tempestade, tormento...
Meus amigos, namorados:
eu lamento pelo Tempo!

Tempo, tempestade, tormento...
meu rumo, meu cárdio: um fomento!
eu respiro por fusos horários
eu atiro no próprio diário...

Tempo, tempestade, tormento!
Cadê? Cadê o tempo?
Preciso hibernar...
e afogar meus pesadelos!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Aos impacientes por técnica

Analise o aparelho auditivo
Martelo, bigorna e estribo!

Não respire curto o ar imundo
Cérebro oxigenado e metafísico!

Alongue os nervos fisiológicos
Dentritos, axônios e menisco!

Não arranque as vértebras da paciência
Estrutura, locomoção e turgescência!

é torto, surdo e impaciente!
pernas, braços e corpo demente.

grita uma história
ignora uma fala
não pede, ordena
não transpira, transborda
não julga, condena
não assusta, apavora
não come, vegeta
não pisa, sapateia

Degolante do istmo da garganta
Meu amigo, tantas receitas:

Mil litros:
Água de Melissa
Suco de Maracujá
Chá de Camomila

Uma pitada de sal!

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Um ensaio


tratos e restos de traços
baquetas justapostas
soando algum sonoro
melodias e assovios
voos da renovação
assim, nossa canção
o palco,
partículas do grave
a iluminação,
fendas das cortinas
os aplausos,
sensação cosmopolita
o canto e a voz e o som
a batida e a baqueta
o ritmo e a explosão
o repertório pulsante
o agradecimento, o antes
e o nosso depois...
e o depois
depois
oi.
obrigada!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Interrogação de um dormir

O movimento em você
Em tudo, no olhar sacana
O beijo pipetado, a cama
O puxão do cabelo, o estímulo
eufórico e doído e vibrante

Em movimento, em você
e veio com tudo, o ranger
O compasso e o suingue e o sonho
voltaremos!

Em imaginação rítmica
então eu grudei no ronco
te fiz por entre sonhos...
Interrogação de um dormir!