aos dias de pôr, próxima aos do nascer

quarta-feira, 15 de maio de 2013

vida militar - parte II



Um estrondo subiu aos céus, a fumaça expirou-se ao chão
e o passo-a-passo continuava, um sinal de fogo e fumaça
mais algumas horas…
no percurso, procurávamos carambolas
frutas para nos engraçar e fazer o tempo apenas passar
com um tanto mais de doçura lisa!

Em todo momento, enxergava amoras frescas
queria apanhá-las para te presentear na volta
de uma forma pequena e suculenta…
mas estava tudo tão distante de se pensar num fim,
era como se fosse remar nas ondas dos mares
em círculos hipnotizados por si,
numa forma lenta de seguir pra trás,
de seguir por mim…



Estava de ti tão distante,
o meu abraço era como o início de um plantio
num vaso ainda sem terra, num vaso vazio


Com o cantar de toda a natureza, finalmente: a chegada
o princípio estava sendo apenas descoberto para se ir além
o começo dos objetivos interrogativos do que fazer ali…
guerrear, sobreviver e aprender a amar!
lágrimas do céu nos presentearam com suas minúsculas gotas de orvalhou
uma barraca, chão puro e sem armários…
precisávamos de algo a mais?
eu necessitava apenas lembrar você,
para te pegar na volta, te morder e crer na própria missão concluída
para me aquecer e evitar dormir o tempo que não se era dado

quinta-feira, 9 de maio de 2013

discurso formatura brigada militar


AOS MEUS COLEGAS DE CURSO DISPONIBILIZO MEU DISCURSO, QUE NA VERDADE, É O NOSSO DISCURSO, DESCULPEM ALGUMA COISA AMIGOS MAS FOI DE CORAÇÃO!

Hoje se encerra uma importante etapa de nossas carreiras e damos mais um passo na direção da nossa realização profissional. Aquilo que vislumbramos desde o nosso primeiro dia nesta honrosa instituição. E ao remetermos aos primórdios dessa caminhada, naquele 10 de setembro de 2012, tarde nublada em Porto Alegre na Academia de Polícia Militar, ao subirem as placas indicando a divisão de cidades do curso, fomos nós, meio perdidos entre 2000 pessoas até a placa com a inscrição “Sant’Ana do Livramento – 2º RPMon”. E foi nesse momento com rostos desconhecidos, olhares fecundos, semblantes apreensivos, corações pulsando forte e a gana de ser um vencedor que o nosso CBFPM formou-se pela primeira vez. 
E depois desse momento vieram tantos outros nos quais passamos a descobrir nossas afinidades e também nossas diferenças, que muito contribuíram para o nosso crescimento pessoal e profissional, pois a convivência em grupo nos torna mais tolerantes e respeitosos e também nos ajuda a firmar e defender nossas posições frente aos demais quando isso se torna necessário. E dessa forma estávamos também nos preparando para a próxima etapa de nossa vida que começa hoje, na qual vamos nos deparar com as mais variadas situações em que a sociedade espera que tenhamos tranqüilidade e firmeza necessárias para o correto encaminhamento. 
Acredito que a palavra que melhor retrata nosso último dia juntos aqui no “Heróico” 2° Regimento é nostalgia. Um emaranhado de sentimentos que envolvem alegrias, amizades e brincadeiras mescladas com a seriedade das instruções, campos, estágios e muito estudo. Nesta árdua jornada colocamos à prova nossa capacidade de superação e fomos vencedores.
Somos brigadianos com um orgulho além do convencional, pois somente quem ostenta esta farda por amor à profissão sabe do que estou falando. Não foi uma simples opção sermos policiais militares e sim uma imposição de nossas personalidades que, ao longo do curso de formação, foram sendo moldadas nos preceitos da lealdade, honestidade e legalidade.
Apesar da aparente frieza em nossa profissão, temos coração por trás da farda. Sentimos saudade da família que nos apoiou desde o início desta caminhada, dos amigos e de nossa terra natal, porém nada foi empecilho para o bom cumprimento de todas as missões a nós designadas e certamente assim será daqui para frente.
Agradecemos a Deus por ter nos protegido e nos guiado ao longo dessa jornada, às nossas famílias pela compreensão que tiveram enquanto estivemos distantes, ao Comando Regional e do Regimento pelo suporte logístico, ao Corpo de Alunos e instrutores pelos ensinamentos fundamentais que tivemos e, por fim, agradecemos uns aos outros pelo companheirismo, coleguismo e amizade. Foram tantos momentos únicos que alegravam e descontraiam a todos que elencá-los agora seria uma tarefa extremamente difícil.
E se por vezes passamos algum limite, aprendemos com os erros, pois ter a hombridade de admiti-los é uma virtude que poucos possuem. Mas mesmo nos momentos mais difíceis para nós durante o curso todos sabem que quando saíamos para trabalhar na rua a seriedade e o cumprimento do dever eram soberanos: orientamos a população, revistamos, abordamos, patrulhamos de viatura, a pé e a cavalo, autuamos e efetuamos prisões mostrando assim o tipo de policial que seremos depois de formados. Por isso a nossa Instituição e a sociedade podem ter certeza de estar recebendo profissionais amadurecidos, apesar de jovens, e com muita disposição para aplicar seu conhecimento na busca de alcançar a garantia dos direitos individuais e coletivos previstos na lei. 
A partir de agora restará a saudade desse tempo ímpar em nossas vidas e estaremos torcendo para que nas voltas que a Brigada nos proporciona em breve voltemos a nos encontrar. E dessa forma lembrando os amigos e colegas Ledur e Cátia, que tantas vezes vibraram juntamente conosco e infelizmente foram impossibilitados de estarem hoje se formando, convido a todos vocês, caros colegas Adriana, Camila, Grassi, Vieira, Caroline, Cássio, Viero, Meireles, Cristiano, Nascimento, Alves, Evelin, Fabiano, Fernando, Giovani, Maretole, Jeferson, Karla, Liana, Lucas, Matheus, Kovalesk, Mariana, Pilar, Miege, Mileidi, Newton, Moreira, Victor, Rodrigo e Tayná, “Turma Centenário”, vamos juntos, pela última vez, vocês com seus corações e eu com minha voz bradarmos: “FORÇA! HONRA! 2º REGIMENTO!!!”


Sandro Maia

poema de uma lição militar - parte I

poema escrito durante o nosso último campo...
a chuva levou boa parte das minhas palavras...
PARTE I



A marcha deu início sob a luz daquele astro
a chegada cedeu o nascer do Sol dourado
a cadência que virou por si entre a madrugada e nossa estada
entre o dia e a noite, uma única estrela se fez camuflada
céu claro, lua cheia e a farda envergada
futuros militares agarrados nas fibras de um mesmo fal


Os corpos guiavam-se nas cegas do companheiro alado
o coração batia forte empurrando o corpo já cansado
o peito respirava fielmente sob a base do fuzil
a mochila pesada equilibrava a nossa força orgulhosa
os batimentos, pela chegada a mil


A estrada que não se era enxergada pelo fosco noturno,
via-se sentida pelos passos de nossos coturnos
a fome, a sede e o cansaço depois de horas andando falso
firmaram-se na garra à própria vida, cinco horas e ainda era a ida
duas paradas de poucos minutos para fazer uso do cantil
e jogar sobre nossas encostas o fardo pesado do fuzil

Fora isso, o meu mundo paralelo gritava teu penhor
clamava o brado da tua saudade serena entediante
sem papel para poetar e nem como ouvir tua voz versátil morena
assim, eu ia te imaginando nas beiras daqueles rios gris
bebia a tua sede, saciava-me com a lágrima da tua ausência
seguia te escutando dizer o quanto me amava ao som de mim a sós
sentia a falta da tua presença, sentia a tua presença na carência
turbilhão de pensamentos rodeavam aonde estaria…
nos amigos, nas vizinhas?
acendendo velas por mim…
em passar depressa e acabar com o fim.



quinta-feira, 2 de maio de 2013

filha da natureza

                                     


De que pétala foste exilada?
qual essência que te pariu?
que inexpressivo secreto te jogou neste mundo?
quantas rosas fez sentir entre mais de um sentir?
foste a respiração das rosáceas entre dois grãos de areia?

Qual aroma que te transformou em saudade?
que dia mesmo entre as datas que te jogaram na terra?
que saudade que te transformou em presença?
tua saudade é que nem a vontade de comer, a fome?
quem me dera comer tuas peças florais todos os dias!
degustando, então a tua presença?


Que isso e que aquilo?
és a respiração do mundo convertida em silêncio?
também és a filha das naturezas?
desejo tocar, sentir, pegar, desejo ser…
deixo que sejas a natureza
posso fazer isso?
posso te fazer sendo a biodiversidade?
posso te cheirar para lembrar o teu perfume?
posso te comer quando sentir tua saudade?
posso te olhar quando estiver com os olhos fechados?
posso embelezar meu quintal com teu corpo floral?
posso te arrancar os espinhos quando estiver errada?
posso te regrar quando sentir minha sede?
posso plantar réplicas de ti quando no meu vaso bater a carência?
posso te fazer a vida?
as plantas, a terra, os frutos, a água, o fogo, o ar?
posso te fazer minha alma, o corpo nu, o espírito?
posso te fazer A NOSSA VIDA?
isso lhe assusta?
no início parece que preciso de toda a tua vida
mas na verdade, eu só quero uma sementinha de ti…
pra gerar nossa prole…






quarta-feira, 1 de maio de 2013

poema Antunês



pois tu foste a perfeição da minha glória
a plenitude da certezas desconhecidas
sabendo sempre escolher o encanto mais puro
a me engatar, atar
no teu vocabulário, gata não era por assim me chamar
encontrava-te cochichando atrás da minha audição
palavras insinuantes, reviradas em reticências vindas
“linda, linda, linda…”


Óh, Antunes!
o único ex que nos suporta
é o de antunêx…

Óh, Freitas!
conhecemo-nos nas espreitas
de la noche lluviosa
no fundo de uma cesta
de Mionetto La Pieve

Feito isso,
basta apenas findar
Freixenet embriagando-me
aos montes dos teus frutos
da nossa Feira Montesquieu
no castelo de La Brède…