aos dias de pôr, próxima aos do nascer

quinta-feira, 2 de maio de 2013

filha da natureza

                                     


De que pétala foste exilada?
qual essência que te pariu?
que inexpressivo secreto te jogou neste mundo?
quantas rosas fez sentir entre mais de um sentir?
foste a respiração das rosáceas entre dois grãos de areia?

Qual aroma que te transformou em saudade?
que dia mesmo entre as datas que te jogaram na terra?
que saudade que te transformou em presença?
tua saudade é que nem a vontade de comer, a fome?
quem me dera comer tuas peças florais todos os dias!
degustando, então a tua presença?


Que isso e que aquilo?
és a respiração do mundo convertida em silêncio?
também és a filha das naturezas?
desejo tocar, sentir, pegar, desejo ser…
deixo que sejas a natureza
posso fazer isso?
posso te fazer sendo a biodiversidade?
posso te cheirar para lembrar o teu perfume?
posso te comer quando sentir tua saudade?
posso te olhar quando estiver com os olhos fechados?
posso embelezar meu quintal com teu corpo floral?
posso te arrancar os espinhos quando estiver errada?
posso te regrar quando sentir minha sede?
posso plantar réplicas de ti quando no meu vaso bater a carência?
posso te fazer a vida?
as plantas, a terra, os frutos, a água, o fogo, o ar?
posso te fazer minha alma, o corpo nu, o espírito?
posso te fazer A NOSSA VIDA?
isso lhe assusta?
no início parece que preciso de toda a tua vida
mas na verdade, eu só quero uma sementinha de ti…
pra gerar nossa prole…






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