aos dias de pôr, próxima aos do nascer

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

sem antes



Entendo o meu sinal
Pequeno, curto e frouxo
Entendo que não me pinto
Deixo apenas o gravite fazer o contorno

Entendo o meu largo desleixo
Liberdade, momento e prazer
Entendo que não conseguiria voar
Sem antes terminar com você

Entendo meu atrapalho
Desorientada, desatenta e safada
Entendo que não conseguiria ser mulher
Sem antes cair com o primeiro salto

Entendo o meu romantismo
Gosmento, seguidor e simples
Entendo que não conseguiria amar novamente
Sem antes sofrer a perda do primeiro amor

minha sombra por aí

Minha sombra por aí. Voltando de Ernesto. Merecidas férias. Estava tudo divino: trilhas, biodiversidade, águuaaaas, aromas, essências, sombras e flores.


quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Idade cutucando a Rose: Parabéns!



Idade que cutuca
Ponta do couro
Emergem pêlos
Que cutucam
Ponta da retina
No feixe de luz
Branco

Idade que cutuca
Ponta da vértebra
Emergem estalos
Que cutucam
Ponta do osso
Na má postura de ir
Adiante

Idade que cutuca
Ponta do coração
Emergem sístoles
Que cutucam
Ponta do miocárdio
Na batida rítmica
Do amor...


 Estarei alguns dias off. Férias. Trilhas.  Até mais ver.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

poças



sim, é uma poça
a dos meus olhos
lacrimejei pela metade
pra me molhar apenas em um lado

sim, é uma poça
a do meu suor
transpirei todo líquido
pra me ver completa
no reflexo de uma água

sim, é uma poça
a da minha saliva
babei todo espelho
pra ver a minha língua
no reflexo do teu beijo...

sábado, 22 de janeiro de 2011

eu e tu tu tu


 
Que quando quem
Te tive e toda
Eu era errada
E tu também toda torta

Que quando quem
Te tive tanto
Nós nunca negamos
Aquele amor acabado

Foi forte o fim
Que quando quem
Éramos eternas e errantes
E Enlouquecida e etc

Que quando quem
Ligo lembrança
Desligo do dia
Dormindo diariamente
Doente doida de dins!

Momentos por aí...

Certificado de publicação do poema "Me sinalizo" no Diario de Los Poetas

Passando os olhos pelas obras...

Fiz uma breve leitura da obra publicada pelo projeto "Santiago do Boqueirão, Seus Poetas Quem São?" da nossa grande poetisa Ayda Bochi Brum, que escreve desde 1954. Destaco e recomendo o poema "ENIGMA":

Juntei as sobras dos meus nadas
e fiz com elas um poema de amor.
Enxuguei o olho que já estava seco
e torci o meu enxarcado  coração.
Escutei o soluço do meu silêncio
E fui brincar nas barrancas da minha dor.
A dor fugiu –
a lágrima secou.
o coração pingava gotejante
na canção do silêncio
e o que sobrou dos nadas
e dos tudos –
Eu chamei de amor – e acho que amei.

Ayda Bochi Brum

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

o corpo beeerra!


Sim. Quando você ama, ser humano de carne lipídica, o corpo foge na madrugada e os pés procuram as curvas da estrada. A tua vontade é de realizar todas as fantasias e ter um orgasmo inacabado em apenas uma única noite. O pulso quer devorar a ponta dos dedos e deixá-los livres para se enfiarem aonde existir encaixe. Você tem a ganância irritante do istmo da garganta em apenas gritar para o asfalto, desaforar as placas e juntar os animais mortos no meio da faixa. Quer também que caia uma tempestade somente em cima da cabeça para que você consiga irrigar as vibrações do organismo e inundar os vasos sanguíneos de chuva ácida. Teu resto de cérebro ainda pensa: você ama é foda, você é deixado é sacanagem! Puta merda, os lábios começam a sentir uma queimação e a produção de saliva não dá conta do incêndio labial. As perguntas afloram no escuro e ai que você resgata toda a coragem, pois não conseguirá enxergar as respostas: Cadê o nosso beijo? As calcinhas? Cadê a construção? E aquela TV que ainda está na loja? Cadê o mar que ainda espera o nosso bronzeado? Cadê a nossa cama de cambalhotas e o lençol de bolinhas engomado? Cadê as nossas coisas? Onde estão? E nesse episódio de interrogações, lá adiante você visualiza um gato e o brilho do olho do felino faz com que uma pergunta seja alguma resposta: “O vento não levou coisa nenhuma, nós que deixamos ir embora”!

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

O que se Leva do amor



Fiz pouco amor
Fui outra pessoa
Levei uma Rosa

Fiz pouco poema
Fui outro verso
Levei as Rimas

Fiz pouca comida
Fui outro cardápio
Levei as sobremesas

Fiz muito chimarrão
Fui a mesma erva
Levei a água quente

Fiz, Fui e Levei
Muito mais que isso!
Rosa e Rima
Prato e Doce
Eu e você: 
aga doisss óssss Quente.

Evento cultural de sucesso

II Fórum Latino-Americano de Literatura Contemporânea
IV Encontro de Escritores do MERCOSUL


Parabéns!

Aniversário da  Casa do Poeta: Ano 2

Jantar de confraternização

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

avulsa

dizer de mim: do que não é igual
me conheço por modificada
e me protegi no ponto reciclável
sendo linhas num papel retornável!

dizer de mim: peça que não existe
não ligo pra encaixes
nem faço parte dos pares
sou a percebida no meu canto ímpar!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Como escrevo poemas?


Um dia me perguntaram (sempre perguntam). 


Eu enrolo e espicho e alongo, eu tento não fazer respostas e desviar o assunto, até mesmo porque não fui feita pra esse tipo de diálogo. Acho que nenhuma pronúncia que envolva inspiração e muito menos o princípio de qualquer escrita merece minhas respostas. Mas como sou mulher de família e muito bem educada por sinal, mesmo sem nenhum tipo de regra: respondo. O que me coloca em desequilíbrio nas respostas talvez seja a minha arte de não saber escrever e de não ter uma linha que direcione para um sentido numa pergunta dessas, de como respondo: "eu escrevo e não mudo nenhuma palavra. Se assim eu penso, de outro jeito escrevo: pra desorientar mais". Mas se querem saber como faço versos, se querem saber o início de um poema, se querem saber o qual é a musa ou muso, se querem saber isso tudo e mais o que vocês sentem vergonha em perguntar: eu respondo em linhas pra vocês, respondo em letras de grafite porque minha bochecha faz o sangue visitá-la em simplesmente dizer como surgem os poemas. Ponto e basta aqui. Reticências e vírgulas em diante: analiso o tipo de guardanapo de boca nos eventos em que prestigio. Sei o tanto que essa frase ficou sólida e sem graça, assim eu faço um mergulho na própria inspiração do que foi escrito: sinto em lábios o desenho dos papéis macios grudados e sendo absorvidos pelos cantos que contornam meu batom, assim eu sinto a textura da celulose e um gosto de algodão. E assim observo o limpar de cada boca, o tom de cada batom e a carne de cada lábio. Espero cada guardanapo sentir inutilizável e sujo em tons de vermelho, espero a boca de todos para que eu possa sentir um princípio de comunicação com a língua de cada um. Quando o momento chega: as luzes se afogam e o tunchi começa, as cadeiras sentem um vazio e o chão do salão começa a ser pisoteado.  Eu, onde estou? Cadê eu que ainda esquento a banquinho, aonde que eu não fui? Nesse momento eu me chamo de princípio e arranco e devoro e pego cada guardanapo das bocas daquela mesa, imediatamente coloco um em cima do outro, esmago e passo a mão e depois as duas e depois encerro com uma dobra e me vou para o banheiro, procuro um sanitário que tenha bastante papel higiênico: caso falte para o princípio, estarei segura da minha vontade. Então, entro e fecho a porta e começo a despir meu corpo, soltar os cabelos, tirar a maquiagem, os brincos grandes das mesmas festas, o mesmo vestido preto e branco, a calcinha da MH que não sufoca minha carne lipídica, a rasteirinha que acompanha os meus passos saudáveis durante a noite, cuspo o trident de menta da boca e fico com os papéis da bolsa soltos nas minhas pernas, puxo meus cabelos e cuspo num guardanapo limpando meu suor e dos meus pés sujos: passo a mão e esfrego na parede branca daquele banheiro.  Assim já estou nua, com os cabelos grudando meu pescoço e num pedaço das costas, pés descalços sujos, sem magnetismo nenhum na pele, apenas espalhando os guardanapos sem nenhuma ordem, os extravios em minha derme e por último sento em frente ao espelho, retiro da bolsa o lápis. Aponto grafite em cada parte da minha anatomia, aponto grafite mais e mais: escrevendo minha fisiologia, aponto entre meus dedos e assim que termino os apontamentos: espeto a ponta na minha bochecha e sinto o grau de penetração. Caso eu sinta dor, começo a cuspir versos sem nenhuma intenção de fazer rimas e por último agradeço os guardanapos e coloco de volta na bolsa de uma textura diferente: com poemas misturados em batons e versos que tiveram princípio num momento em que ninguém poderia sentir minha falta. Ás vezes, os convidados são poucos e o papel higiênico inexiste, então: escrevo na própria pele, desde que seja num lugar em que o suor não me faça visita noturna e que não acabe de vez com o poema (isso já aconteceu).

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

me compondo já formada


Hoje eu vou me compor, como será?
Hein?
Pergunto ser um princípio?
Ou fico assim mal formada?
Ou será eu sem início?

Hoje eu me componho
Como será planejar o que já existe?
Hein?
E sentir que tudo isso foi destino?
Ou acredito nele e me deixo ir?
Ou desacredito e paro por aqui
Nesse último poema?

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Edição de Jornal Argentino será lançado no Fórum - Escritores Brasileiros

Jornal "Diário de Los Poetas" que será lançado no II Fórum Latino Americano de Literatura / IV Encontro de Escritores do MERCOSUL. 

 
Clique para mais detalhes.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

pingos no vidro: divino!


tempestade de fora
eu dentro do ônibus
pingos rastejam no vidro
divino!
os respingos
enxergar um mundo molhado
dentro de pingos
destorcendo as paisagens

divino!
a úlima poltrona
enxergar alguma árvore
que o motorista não tenha sentido

divino!
enxergar os respingos
de todas as janelas
e da última
não ver os da minha

divino!
tempestade de fora
divino o momento
velocidade do veículo
pegando toda água
em poucos segundos
cruzando apenas em uma nuvem!

sábado, 8 de janeiro de 2011

sorria e chore


Que esse pingo
Goteja e caia
Que o teu rosto
Deixe-o cair
E que não falte lembranças
Para que você possa chorar

Que esse sorriso
Sorria e abra
Que os teus lábios
Deixa-o abrir
E que não falte lembranças
Para que você possa sorrir

Sorria muito
E chore também
Só não se esqueça
Que são somente lembranças...

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

aqui.


Enfim, retornando ao Blog e ao Brasil.
Estive alguns dias trocando passos em Posadas e cidades próximas.
Uma semana desconectada e sem ondas sonoras: Meu Deus, o que é isso? Caixa de entrada dos e-mails jorrando palavras! Bora lá, responder os spam. Mas antes disso: vou escrever um poema, afinal pra que tanta pressa?




O livro do Márcio Brasil acompanhou meus olhos nessa viagem: literalmente viajando. Mostrei a Obra às crianças, as quais pediram para que eu fizesse a leitura de algum conto do escritor. Dito e feito. E assim iam tomando conta das páginas do livro... E assim tomaram conta... E assim ficaram com a Obra!

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Cadê minha lista de 2011?


Preciso me abandonar, urgente: 2011 “mudou” data e eu não fiz listinha de pedidos. Ótimo, a culpa sentou no sofá meio que em atraso. Mas não faço e nem farei, fico sem lista. Apenas, desejo-me paz e que o meu corpo continue pedindo um abandono. Digo isso porque talvez nunca tenha desejado o que sempre aspirava aos outros. É sempre a paz para o povo e o mundo e que nosso planeta seja salvo das mãos humanas. Quero livrar meus ouvidos da importância à melhor roupa, o melhor poema para o ano novo, às melhores frases para 2011, às programações para o final de semana, às melhores respostas e argumentações para quem lhe ofendeu, às atualizações do blog, a contagem regressiva para o brinde: deixo-me em paz comemorando segundos antes ou horas depois. Quero queimar algumas calorias do peso da culpa e por um acaso se eu venha a ficar mais leve, pretendo resgatar meus amigos não somente para me fazerem de bengala e colocarem meus pés no chão, mas também para que juntos possamos saber qual vento é o mais eficaz e assim, quem sabe, viajar no mesmo elemento! Quero me deixar em paz e devo fazer isso, eu consigo abandonar comentários de peso, idade e cobranças de “arranjar” um namorado. Eu mereço a paz, eu me escrevo e digo: livrai-me de autoavaliações e da demora que tenho em me perdoar. Livrai-me de rótulos que me descaracterizam em comportamentos e que eu tenha paz suficiente para não guerrear com minha essência numa luta de adequação e ao mesmo tempo de liberdade. Ah! Se eu tiver que fazer um pedido que não me envolva, peço: ajudar aos outros e distribuir a solidariedade e que esse meu abandono não deixe as pessoas na paz de um esquecimento. Agora, depois da minha paz, desse largo desleixo e abandono da sufocação humana, pergunto: por onde se começa a fazer tudo isso?

Estarei nas mãos da estrada em instantes e se sobrar lugar na mochila: levarei meus pés.

Ótima semana a todos. Ahhhhh, e Paz pra todo Mundo!