aos dias de pôr, próxima aos do nascer

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

o corpo beeerra!


Sim. Quando você ama, ser humano de carne lipídica, o corpo foge na madrugada e os pés procuram as curvas da estrada. A tua vontade é de realizar todas as fantasias e ter um orgasmo inacabado em apenas uma única noite. O pulso quer devorar a ponta dos dedos e deixá-los livres para se enfiarem aonde existir encaixe. Você tem a ganância irritante do istmo da garganta em apenas gritar para o asfalto, desaforar as placas e juntar os animais mortos no meio da faixa. Quer também que caia uma tempestade somente em cima da cabeça para que você consiga irrigar as vibrações do organismo e inundar os vasos sanguíneos de chuva ácida. Teu resto de cérebro ainda pensa: você ama é foda, você é deixado é sacanagem! Puta merda, os lábios começam a sentir uma queimação e a produção de saliva não dá conta do incêndio labial. As perguntas afloram no escuro e ai que você resgata toda a coragem, pois não conseguirá enxergar as respostas: Cadê o nosso beijo? As calcinhas? Cadê a construção? E aquela TV que ainda está na loja? Cadê o mar que ainda espera o nosso bronzeado? Cadê a nossa cama de cambalhotas e o lençol de bolinhas engomado? Cadê as nossas coisas? Onde estão? E nesse episódio de interrogações, lá adiante você visualiza um gato e o brilho do olho do felino faz com que uma pergunta seja alguma resposta: “O vento não levou coisa nenhuma, nós que deixamos ir embora”!

Um comentário:

Anônimo disse...

Excelente, Camila !
Meus Parabéns, por tanta lucidez poética.
Agradeço a Deus por existires entre nós.
Um beijão.