aos dias de pôr, próxima aos do nascer

terça-feira, 28 de agosto de 2012

negue, meu bem...



os pertences, agora tu vens negar?
não recuse os dias passados
tudo bem que eles não voltam
mas a gente também não é a vinda



queres negar a tua única propriedade sentimental?
sou eu
a negra ativa de idade – a negatividade
que ousa tanto em inadmitir



demitir o sentimento é admitir o orgulho
queres mesmo assim?
demita-me dizendo que um dia foi meu
admita-me que não me esqueceu


as minhas posses
calam-se no universo do beijo teu
os meus dias
gaguejam-se na fala ainda marcada
com o eu te amo meu
os destinos
imploram-se na covardia de finalizar
com um delírio teu
os sonhos
sonham-se entre sonhos
no intuito de ratificar o desejo breu...



sexta-feira, 24 de agosto de 2012


O que ando fazendo?
Uma pergunta básica de muitos que encontro.
Uma nota esclarecedora: não estou de mal com nenhuma criatura, todos que por mim derrubaram lágrimas, sorrisos esbeltos e que compartilharam instantes da vida, jamais por mim serão deixados no meu museu interior.
Logo de imediato, compartilho uma boa notícia... Durante esses últimos seis meses estava passando pelas cinco fases de um concurso público, do qual se exigia: preparo físico, médico, intelectual e mental. Finalizei todas essas passagens com muita força de vontade! Deu certo, era pra ser...


As perguntinhas que não calam...
- E agora vai deixar de escrever poemas?
Respondo: Mas por que deveria? Devo parar? Deixar de fazer uma coisa que a gente gosta é matar a própria essência por vaidade. Esclareço essas coisinhas pelo compromisso que tenho com algumas pessoas que me seguem pelo blog. Tenho respeito perante a curiosidade dos escritores e blogueiros que eu também sigo. Eu também gostaria de saber se algum poeta, cronista, deixou de escrever, se vai deixar, como será a outra etapa da vida... São essas questões que eu chamo de elegantes.
- O que está fazendo?
Estou escrevendo para o Jornal O Editor. Mantenho uma coluna de crônicas, palpito sentimentos, coisinhas banais do dia-a-dia e assim vai...
Estou com projetos de um livro – romance. Não sei se se se se se para este ano ou para... Pois escrevo com o ritmo com que me é oferecido, não posso obrigar essa cabeça produzir forçadamente. Forçar um capítulo pode estragar com todo o livro. Aí não tem volta. Não quero estragar um sentimento tão bacana que...

### Em setembro ficarei pelo Quartel. Durante poucos termináveis 9 meses. ####
Nas horas de folga vou arrancar cri-cri e escrever.

Era isso. Estava preocupada mesmo com os leitores do blog...

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Falando com as paredes

 
Falando com as paredes
Quem já não se pegou despercebido falando com as próprias paredes? Quem já não ensaiou um discurso com o espelho? Muitas vezes somos os protagonistas das nossas histórias, somos os interpretes das nossas próprias palavras, somos o ensaio da nossa originalidade de apenas querer refletir, desabafar e decorar um discurso. Duvido que não exista ninguém que já tenha xingado uma pessoa sem sua devida presença, xingar sem machucar é fazer um desabafo de dentro pra fora, é dizer o que pensa com todas as palavras e longe de todos, é falar em silêncio escutando a própria voz.
Quem já não ensaiou uma desculpa esfarrapada? Ensaiar o que se pretende dizer nos coloca num grau de reflexão maior do que falar sem pensar. Dialogar sozinho é aprender a nos colocar no lugar do outro, é partilhar o próprio momento.
Quem já gravou a própria voz e depois se decepcionou com o que escutou? É normal. Acontece com todos. As pessoas não possuem muito o simples hábito de se ouvir. E quando isso ocorre, acabamos por decepcionar os próprios ouvidos. Até mesmo o hábito de se ler decepciona, porque as próprias letras descompromissadas foram sendo computadorizadas. Escrever algo num papel e guardar numa gavetinha é tão bom quanto abrir a mesma gaveta num certo tempo depois e passar os olhos sobre nossas alusões, sobre nosso paradigma de querer escrever e guardar para sermos lidos com o passar do tempo. Escrever um poema para cada período de nossas vidas nos faz crer na evolução dos nossos sentimentos.
Quem já usou o carro como um profissional terapêutico das nossas idas e vindas do serviço? O carro nos escuta, o carro nos leva e também responde. Ele responde ao nosso modo, responde aquilo que queremos ouvir, nos responde com a nossa música favorita. Apenas apertar play e começar a reflexão, e pronto já estamos num outro mundo. Cantamos quando há música e resmungamos quando há o silêncio.
Quem já criou e recriou diálogos nas ruas, avenidas, em frente ao computador? Muitas vezes já falamos com ex-maridos e raramente fizemos as próprias respostas do diálogo. Quantas vezes já discordamos dos nossos chefes sem ao menos eles saberem da nossa vontade de esmagá-los? Quantas vezes... Uma, duas, três... Várias... Muitas... Quase sempre, sempre. Nem por isso passamos por loucas, falando sozinha ou não. Mas falar e gesticular ao mesmo tempo já é demais pra dois ouvidos. Há sempre um interlocutor oculto entre as duas paredes.
Seria um psicodrama falar sozinho? Talvez fosse a palavra mais refinada para definir nossa ansiedade, segundo o ator Caio Blat. Falar sozinho é uma segunda chance que a vida nos oferece, vá saber do estrago que faríamos para nossos chefes, amigos, vizinhos e professores se o desabafo acontecesse olho no olho, cara a cara e sem pensar...

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Qual é o seu Poema?


Qual é o seu Poema?


Poemas em novelas, poesias em teatros, versos sensíveis em músicas. Onde encontrá-los? São nas banalidades de uma rotina comum que se é encontrado os principais poemas das nossas vidas. Mas qual é o seu poema? Aquele que você escreve ou aquele que você leu e nunca esqueceu? O poema, para mim, é aquele que nos veste como sujeito de um determinado momento. É a veste do absoluto lugar em que enxergamos o próprio sentido de trajar diversos panos. Mas em muitas vezes o poema pode ser nada e o seu fundamento se traduz em sua pouca serventia.
O poema é a força de quem escreve e o sentimentalismo de quem o compreende. O poema é fora, é o paralelismo da estrutura posta de forma contrária ao universo tecnológico. O poema é, tantas vezes, mal interpretado para quem escreve frente aos leitores que encontram outro sentido daquele que foi pensado pelo próprio poeta. Talvez o sentido de que se falta faz o próprio poeta se encontrar. O poeta acha as profundezas de um aquário e se perde em sua imaginária profundidade.
O poeta inventa o que se quer sentir, cria o seu mundo e coloca um fim ao que incomoda. Mata mais de uma vez e ressuscita apenas uma única.  Qual é o melhor poeta? Aquele que escreve bonito e segue a rigor o conjunto de rima, métrica e sonoridade? Não nego que os melhores poetas que deixaram suas obras como um marco em cada período literário também possuíam essas características. Em minha opinião, não existem melhores poetas, existem sim os melhores poemas de um específico momento ocasional em que os nosso estado de espírito se encontra.
Às vezes, sou mais filosófica das próprias ideias a uma poeta que escreve com um fim em si própria.  O poeta é um meio solidário que transmite seu próprio sentido de existir naquele momento. O poeta é um solidário da própria intimidade. O poema, a partir de sua publicação, passa a ser de quem lê e não mais de quem o poetou. Há quem goste de revelar um sentimento platônico e deixar subentendidas as múltiplas interpretações de um poema. Há quem desgoste da nudez com que um poema é apresentado, mas há também os que degustam do sabor que não é revelado.
Nesse momento, o meu melhor poema é o da imortal Cecília Meireles. Publico aqui, pode ser de outra pessoa também.
Trechos do poema Motivos

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.