aos dias de pôr, próxima aos do nascer

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Flores do teu jardim


Eu olho as pétalas e vejo o teu sorriso plantando flores! 

Eu olho o jardim e te sinto em cada
Espécie...
Eu olho as petúnias, o amor perfeito
E penso que as rosas que plantou 
Na semana passada
Brotarão pra sempre, ano após ano
Nessa terra. 
Assim como a saudade que será também eterna!
Colorida e perfumada, como sempre foi...
Como sempre foram as flores do teu jardim.


Eu olho o espaço da cruzadinha
e penso em colocar uma semente
aguar e esperar a palavra formar
como tu sempre fazias 
para completar o espaço do meu jardim
que agora tem um eco incessante da pronúncia
saudade.

parece que nada foi embora
mesmo não vendo mais tuas mãos no jardim, na terra
 eu sinto o cheiro das rosas
mesmo não vendo o teu sorriso
eu a vejo porque eu sempre sorria junto
mesmo não vendo o teus passos
eu a sigo porque eu a vi andar muito
andar pelo pátio,
pelo jardim, indo e vindo...

olhava de longe e aproximava depois
para ajeitar um galho que estava meio torto
às vezes, fazia muito frio e mesmo o tempo assim, chamava-me
para mostrar o quanto estavam lindas, as flores
para contar as tantas cores formadas
como se fosse uma caixinha de surpresa
a espera de uma rosa abrir,
de uma pétala nascer.

assim, eu agradeço a cada flor daquele pátio
que soube muito bem arrancar sorrisos de ti,
minha vó eterna!

meu amor sem fim!







terça-feira, 9 de agosto de 2016

Ah ha aham

Aqui eu vivo
Há o que viver
Há vida
Desde que te vi

Aqui me vi
Há o que ver
Há olho
Desde que nu


Mila Journée_____.

terça-feira, 26 de julho de 2016

como seria?



Se eu pudesse escolher
a forma de viver
assim minha vida seria
apenas as coisas que
antecedem a Conquista

Depois disso
o tédio, a rotina,
a sujeira, o pó
o mofo, o bolor,
o vírus, a bactéria
não teriam vida
nem rotina,
nem gripe e resfriado
nem espirro e mal humorado.

Viver de Conquistas,
como seria?
um tédio viver só.




quarta-feira, 29 de junho de 2016

Pôs a mão sobre meu ombro


...
Sirvo à vontade das tuas mãos
que me oferta presságios
escoro entre os dedos o lambuzo
no abuso de tamanho anseio
ajusto a palma no meio,
os seios

A tua outra molha entre as piruetas
da minha boca perversa
escalda, mais tarde, pelo meu lábio
que escapa uma baba, o fluído

Acalma-te, será mais tarde
a calda que borbulharás as minhas tiradas!



Teus lábios letárgicos bastam
para que um beijo, um dedo dele
a gota, em toque
a água, em gozo
façam-me estremecer o corpo inteiro.

Palmas! Quero palmas!
na elegância para não se perder o cuidado.
Palmas, palmas...
o teu amor, o corpo, a pele, o cheiro.
Palmas!

O dia em que se encostou a mim,
franzi, encrespei, arrepiei...
e hoje não sei o que é ser morna.

Palmas!




segunda-feira, 20 de junho de 2016

venha devagar

venha devagar, se é que vens
sei bem que às vezes voa rápido
mas não deixe a luz do dia dormir
para de amor me cobrir
reamar - reatar - recontextualizar 
é parte da nossa alma, carne, fome.



venha devagar, como sempre chegou
sei bem que por instantes passa um trovão
que nem piscar um olho
quando vê amanhã poderá ser outro dia
e o amor, uma eterna noite escura

venha devagar, assim como sou
vestida ou nua
sou tua,
enxerga-me, sem precisar dizer: por favor!

venha devagar...


quarta-feira, 25 de maio de 2016

ela.


De todo o meu sorriso, és o motivo de fazer
Dá minha lágrima, apenas a despedida.

Das tuas mãos, sou o cuidado delas
Passarei gestos sem resseca-las
Deixando agir por horas e horas
Pelo fim do tempo de todos os dias

Abraçarei teus dedos com os meus
Segurarei suave e confiante
Assim, dar-te-ei minha vida

Na palma da tua mão

quarta-feira, 4 de maio de 2016

o CAFÉ e o Amor

Se sem café
o inverno seria de má fé
eu dizia:
vem cá, que assim 
eu me expresso


Mas sem o amor
a única estação
de boa fé
seria a de um café
sozinho por gosto

Sem as coisas juntas
o inverno vira bosta
o café não passa
e ninguém se expressa!


o amor esfria
a caneca perde a alça
e nada mais presta.



quarta-feira, 20 de abril de 2016

ela...é ela...

Caiu dentro da nuvem e voou o céu
quedou lá de cima, na partícula gota
lavando a molécula água
descendo com mm dezoito,
quando a tempestade choveu


desabou
desaguou
dissolveu dentro do beijo um outro melhor
e o que cabe a mim descrever
engasgo e sai lhufas da minha falta de ar 
das palavras que não saem quando fica o boca a boca
do silêncio que tu mesma não escuta quando fica o último beijo
a primeira vez que aproximou
tá até agora perto

as coisas que produzo, a ti penso pra fazer
caso não leias na íntegra, publique-se dentro do espectro ser
e o  meu não dito, nem análise de discurso 
e tampouco  o suco tampico pra tomar uma saliva
e no quarto encontro dizer: quero você!
pra quê?



pra tê-la nesse mês dez!
pra casar, pra vida,
pro mundo ser feliz e gozar!


Eu tenho responsabilidade diante daquilo que escrevo e digo.
Por isso, o meu silêncio é não dito
e a poesia, uma lira que acalma a palha fina que há entre as faíscas do meu sangue.
Eu fervo!
Eu me demito!
Eu não sei o que vou querer,
imagina saber querer
sendo que já quero morrer de amor.
já morro.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

ela já não tá nem aí

ela já nem entra mais aqui
nem lê o que tu escreves
ela já não tá nem aí

ela pensa que tu podes fazer isso por ti,
ela já não faz sorriso de mulher feliz
já não sorri mais a ti

ela já não te acorda sem o despertador tocar
já não consegue fazer por si só
ela já não está mais aqui


e eu sinto vontade de chorar
porque eu sinto pena dela
que nunca mais leu o que escrevi

ela não sabe mais onde escrevo
como escrevo, onde faço registrar
ela já esqueceu que tu és poeta
ela já não lembra mais de ti.

mas alguém viu o que a Jornada escreveu por ai!



terça-feira, 5 de abril de 2016

a gota da nuvem

eu espero a chuva
a queda de cada gota
escorrer sobre o nu
debruçar sua molécula
em cada poro entreaberto
do teu labirinto dérmico 


em mim por si
da água que queda
brota a vida
de ti por ti
o líquido que transborda
é a nascente do amor
nos meus olhos-d'água

estou à beira da gota
d'água 
na margem da nu vem
molhada