aos dias de pôr, próxima aos do nascer

terça-feira, 31 de julho de 2012

o primeiro amor...

E se você reencontrasse o primeiro amor?

E se o primeiro amor ainda não foi esquecido? Será verdade aquela frase: “...só se ama uma vez e o resto são paixões que se vem e vão...”? O que nos faz sofrer por alguém? O que de fato vale a pena passar? Qual é o tempo suficiente para esquecer alguém?

Creio que o tempo seja só um pretexto para enganar a nossa própria distância. Fui à procura de pessoas que tenham passado por esse fato, das que eu conversei, praticamente todas, disseram lembrar o primeiro amor, mas apenas uma disse lembrar todos os dias da sua primeira paixão. Não vou citar nomes para que seja preservada a identidade das mesmas.

Através desse bate-papo sentimental, resolvi transcrever ao papel o que de fato faz com que uma pessoa seja descrente do próprio tempo para esquecer seu grande amor. Creio que o primeiro passo é querer esquecer, mas quem vai querer esquecer o que se era jurado para nunca ser esquecido: o amor... As pessoas são insubstituíveis e a única coisa que substitui a outra é o sinônimo. A característica é única de cada ser humano e aceitar as novas características é entrar num outro ritmo de escolhas. O fato de ter que aceitar a outra pessoa como ela realmente é, nos remete a pessoas que ainda estão presas a um passado comum.

Não temos que “aceitar” o fulano do jeito que é, mas sim se interessar pelo que ele sempre foi. A questão é passar a enxergar o daqui pra frente, pensar o daqui em diante e firmar um compromisso com o próprio crescimento. Amadurecer um tempo maior é olhar para si mesmo. Acredito que o lembrar bem lembrado não é lembrar todos os dias, mas sim lembrar as coisas boas, porque remoer todos os dias algo que perdemos é como viver de lembranças e fazer com que nós nunca sejamos lembranças boas para alguém. Então, o que dizer a alguém que lembra todos os dias do seu primeiro amor?

Na minha opinião, uma lembrança só é saudável quando vem acompanhada de um tempo esporádico de felicidade. Lembrar alguém num momento de tristeza só demonstra a força da nossa fraqueza. O que vale passar por outra experiência é ter a convicção de que a própria permissão foi permitida.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

boa noite


Boa noite, agora deite...

descanse.

o que te dar, então

amanhã de presente?



devo contar que é o tão meu amante?

fique quieto e me consuma no silêncio

amanhã será a mesma coisa

eu deito e durmo pensando que não será pra sempre



boa noite, papai do céu

sou pecadora por não ter quem me ama?

sou pecadora por amar eternamente a mesma pessoa?

sou pecadora por pensar noutras coisas na cama?



se sobre a cama eu deito, se sobre o lençol eu durmo

queria eu deitar e dormir noutro travesseiro

não existem outros meios de me saciar

apenas com meus dois seios?



confesso, meu Pai

às vezes o coração quase morre e eu enfarto em desespero

torno a recavar e regredir no tempo que um dia foi o presente

o desejo é onírico, real e impotente

a ação é de impulso, quase mordo a realidade inaceitável

de que te perdi pra sempre...



Boa note.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Correr eu ia


Correr eu ia
Um dia de cada vez, por favor. A correria da mesma rotina nos torna pessoas impotentes de pensar o momento em que há vida, o presente em que vivemos. Como a famosa frase: Carpe diem! Aproveitar o agora e deixar que as tensões sejam levadas ao ralo, ao som da água do banho e derretidas ao vapor de uma ducha quente. ‘Para tudo hoje em dia se corre’. A meta é vencer e a recompensa fica no mérito de atingir sempre mais. Parece que a cada hora temos que fazer render vinte e quatro dias, o que por sinal é muito bem feito. Mas o sossego fica em última estância, deixamos de cuidar do nosso corpo nas vinte e quatro horas do mesmo dia. É difícil dar atenção às coisas que não são exigidas num cronograma de um planejamento, assim como também parece pecado tirar um mês inteirinho de férias. Parece que nunca estamos prontos para receber um merecimento ao alcance dos que nos foi proposto, ao alcance do que realmente fizemos... O tempo existe, há quem diga que não. Mas eu existo e também assim como vocês tento controlar pelos calendários e relógios a sua cabeluda passagem. Fiquei sabendo de sua real existência há poucos dias, quando pronunciei algumas palavras, no Salão Nobre da Escola Salgado Filho, para algumas pessoas e também ‘professores’ que haviam sido meus professores. Falei diante de mestres dos quais eu era acostumada ouvir, escutá-los... Esse encontro foi na III Feira do Livro e o pulmão daquele salão respirava conhecimento. Descobri que a Escola continuava sendo Escola e que o salão era o mesmo, por mais óbvio que se pudesse redescobrir. O foco dessa pupila descobridora era o olhar diante do próprio tempo. Tive a oportunidade de inspirar um tempo que achava não ser tão cedo lembrado, tive o prazer em expirar com sincronia e calma o gosto de lembrar bem lembrado. Tudo era conjunto: o piano e a prof. Iolete; as pessoas e o tempo translúcido em cada uma delas... Às vezes correr para não perder um ônibus é inevitável, mas quando chegamos ao destino e continuamos a olhar o relógio acabamos traindo o propósito da chegada. Por muito tempo pensei que o futuro era uma ilusão à nossa frente, quando na verdade era apenas uma sensação infinita! O tempo existe, eu também!


sábado, 7 de julho de 2012

onírico desejo platônico



onírico desejo platônico
comer-te debaixo dos panos nos sonhos
acordar encharcada e rezar antes de apunhalar tua carne
pedindo perdão em fazer
tua derme e meus pelos ficarem em cima de cada mármore

onírica vez que fui feita mulher
a única em que não precisei mais fantasiar
no instante em que os petiscos dos sonhos
atacaram a gulosa realidade de te devorar


http://lounge.obviousmag.org/encruzilhada/2012/06/27/ib_p002_0_25.jpg 
 
onírica vida que era feito o que se queria
a vez em que acordei e clamei teu nome ao meu lado
o choque em estar com quem sempre sonhei já estava sendo realizado

onírica vez que acordei
e fazer o que se queria tinha de esperar a outra metade
pronunciar a cara de vontade...