aos dias de pôr, próxima aos do nascer

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Correr eu ia


Correr eu ia
Um dia de cada vez, por favor. A correria da mesma rotina nos torna pessoas impotentes de pensar o momento em que há vida, o presente em que vivemos. Como a famosa frase: Carpe diem! Aproveitar o agora e deixar que as tensões sejam levadas ao ralo, ao som da água do banho e derretidas ao vapor de uma ducha quente. ‘Para tudo hoje em dia se corre’. A meta é vencer e a recompensa fica no mérito de atingir sempre mais. Parece que a cada hora temos que fazer render vinte e quatro dias, o que por sinal é muito bem feito. Mas o sossego fica em última estância, deixamos de cuidar do nosso corpo nas vinte e quatro horas do mesmo dia. É difícil dar atenção às coisas que não são exigidas num cronograma de um planejamento, assim como também parece pecado tirar um mês inteirinho de férias. Parece que nunca estamos prontos para receber um merecimento ao alcance dos que nos foi proposto, ao alcance do que realmente fizemos... O tempo existe, há quem diga que não. Mas eu existo e também assim como vocês tento controlar pelos calendários e relógios a sua cabeluda passagem. Fiquei sabendo de sua real existência há poucos dias, quando pronunciei algumas palavras, no Salão Nobre da Escola Salgado Filho, para algumas pessoas e também ‘professores’ que haviam sido meus professores. Falei diante de mestres dos quais eu era acostumada ouvir, escutá-los... Esse encontro foi na III Feira do Livro e o pulmão daquele salão respirava conhecimento. Descobri que a Escola continuava sendo Escola e que o salão era o mesmo, por mais óbvio que se pudesse redescobrir. O foco dessa pupila descobridora era o olhar diante do próprio tempo. Tive a oportunidade de inspirar um tempo que achava não ser tão cedo lembrado, tive o prazer em expirar com sincronia e calma o gosto de lembrar bem lembrado. Tudo era conjunto: o piano e a prof. Iolete; as pessoas e o tempo translúcido em cada uma delas... Às vezes correr para não perder um ônibus é inevitável, mas quando chegamos ao destino e continuamos a olhar o relógio acabamos traindo o propósito da chegada. Por muito tempo pensei que o futuro era uma ilusão à nossa frente, quando na verdade era apenas uma sensação infinita! O tempo existe, eu também!


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