aos dias de pôr, próxima aos do nascer

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Que tu voltes, coração de pedra!



Que tu voltes
Dessa vez
Sem as mãos
Sem os cabelos
Sem os dois pés

Que tu voltes
Em quatro pés
E doe-os para mim
Desde que foste
Caminho no vento
E dessa vez ele não levou
Pólen de nada

Que tu voltes
Com a boca fechada
E doe para mim
Só quero voltar a sentir
O gosto do nosso batom
Num lugar escuro

Que tu voltes
Com o teu maior roubo
Imploro minha piedade
Venha a mim novamente
Meu coração
Que tu voltes
Com ele
Eu não funciono desse jeito
Que tu voltes
meu demônio
bater nas encostas desse corpo
que espera um novo sangue!

Que tu Voltes com o corpo soberbo
Nesse tempo: arquitetei-me de costas
Para a tua pele fazer estrutura aos meus órgãos!

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

aroma e outras dores


O que postar num período em que as gramas enxugam os jatos de água que cobrem suas superfícies? Aposto em postar aquilo que não sinto. Aquilo que talvez não tenha  se manifestado em algum momento ensolarado em que as asas das borboletinhas fizessem visita à minha carne peluda. Postar então, aquilo que talvez tenha sangue ao músculo que bombeia meus fluídos. Aposto em pedir alguém em casamento, então? Aposto em meu coração de pedra, que mesmo com o seu ápice apontado para baixo, consegue segurar minha cabeça com um pouco de textura doce. Razões por essas, se é que existem palpites para que as pessoas sejam glorificadas de fazer o que emergem suas pestanas, colocam o ser humano pelado e sem vergonha diante de qualquer sentimento no meio de um café. O que postar numa aposta em que dois corpos desejam o mesmo fogo? Aposto em queimar o subitamente, um simplesmente e um te amo. Aposto em queimar primeiro a própria existência medíocre congelada em antes derreter o sólido de um coração de pedra que tenha sangue e nervos. Aposto na minha frieza e nos arrependimentos para que eu possa, talvez, apreciar com tamanho prazer apenas um outro café. Que esse café pronuncie o seu cheiro bem de longe e distante dos meus sentidos, bem perto da colheita dos próprios grãos. E que me deixe  fazer o processo de "catação" com meus próprios dedos, eu sei qual grão polir , agora  saber qual parte lustrar mais: já é questão da teu aroma e outras dores. Que esse café não me adoce e nem refresque os meus dias, apenas ofereça algo que possa me dar em prazer: um digno devaneio... Que esse café não seja de impacto ao meu trato digestório e que as minhas papilas gustativas não ofereçam área de contato a sua gastronomia, assim poderei senti-lo com as pálpebras fechadas e talvez imaginar o que a solidificação do meu cárdio bem entender pra quem pulsar... Entendo que não pulso por ninguém antes de arrebentar com meus pulsos nas minhas atrações sexuais pelo meu próprio corpo. Eu quero um café distante. Eu quero apenas o aroma desse líquido. Caso eu tenha que beber algo: que seja a nossa cafeína. Eu quero o teu café, porque com essa chuva, porque com essas pedras e esse último filme, não tenho coração suficiente para dividir a xícara com outros lábios. "Toma" bem no...

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Expulso de Sentimento


Você, modo de dizer:

Agora, quero que você deite o glúteo na cama e expulse tudo que vivemos e não engasgue nenhum choro, porque eu quero tudo de volta, inclusive teu Ser. Lança pra fora a primeira palavra soletrada quando me conheceu e guarda ai dentro a tua sensação, deixa bem no canto. Esmaga bem, faz um pozinho dela e assopra pro teu coração. Vomite esse sentimento que também foi meu (eu tenho pano suficiente pra limpar tanta lambança de tudo que vivemos, se é que *foi uma vida). De prazeres, um sentimento melecado que aos poucos, lentamenteeeee: desgrudou-se de mim. Mas as vibrissas ainda sentem um cheirinho, parece que você expulsa nossas lembranças aos poucos, tudo pra doer mais. (Fez) isso só porque essa dor sabia irritar somente meus nós. Alimenta-se do teu sentimento e depois vem com tudo e me arrebenta e faz mil voltas com meu corpo e gira, mas gira tão rápido que eu já nem mais sinto a mim. Joga tudo para o alto, arremessa na minha boca aquela menina que fui pra você, joga pra mim a sinceridade e me devolve a tão somente pureza, puxa de ti tudo que foi meu, puxa bem forte e me atira tudo junto, assim me reergo de uma vez só e não fico dançando o quase desce e quase sobe, e tem que ser firme: varre teu corpo e expulsa todos sentimentos que também foram meus e deixa que esse teu egoísmo deite sozinho, porque esse sim é legítimo de ti. Só quero que faça isso, eu quero sentir a dor somente uma única vez e que os meus choros não fiquem em prestações. O negócio é o seguinte, devolve essa chance que você não largou dos teus dedos, libera e deixa soltar e vir até meus dias, isso mesmo e bem isso e nada mais, apenas expulse aquela dúvida que te cutucou quando eu implorei mais um dia, quando eu implorei mais um beijo, quando eu implorei mais uma vida... Expulse tudo que foi indecisão mais que de imediato antes que eu faça sair outra coisa de mim que não mais a existência, expulse somente mais uma vez das inúmeras tentativas, expulse essa chance e enterre o que for orgulho... E ainda assim, a única coisa que me cutuca e me faz expulsar é a paciência, paciência e mais paciência pra esperar que o teu Ser vomite o que for Sentimento, mas não se esqueça que eu sou humana e canso também! Expulse apenas minhas coisas: o meu sorriso, minhas noites e o meu coração antes que eu me expulse de Casa...

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Queres vinho?




Queres vinho?
Deita-te
Na minha
Teta
E tome
Toda a taça

Tonteie
Minha
Virgindade
E me entupa
De tapas
Torturando
O tronco
Da minha
Cara
Atrofiada!

Queres vinho?
Deita-me
Um tapa
Na cara!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Espelho, meu seiooo


 
Espelhoooo
Ooore para
Meu seiooo

Espelhooo
Ooore para
Que ele
Sinta
O aperto
De duas
Mãos
Em seu
Mamilo
Do meiooo

Espelhooo
Ooore para
Ele

Ore para
Que um deles
Apresse
A carícia do outro
E que fique
Na espera
Ansioso pelo
Toque do 
meu dedo arteirooo

domingo, 13 de fevereiro de 2011

sessão erótica



Despi
O teu carimbo
Em minha carne
Em pleno consultório
Enquanto
Analisava
O meu estado
Excitado

Despi
O teu conselho regional
Em tua mesa
Em plena sessão
Enquanto
Dispensava
Os teus clientes
Desesperados

Aquela sessão
Despiu
O que nos vestia:
Duas tiras de calcinha

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

em cachos

 
Que os teus cachos
Esqueçam a ponta
Do pente
E façam
Voltas na minha língua

Que a tua gordura
Esqueça do cansaço
Físico
E faça
Voltas transpirantes
No meu seio

Que o meu corpo
Irrite o teu
E que os teus longos
Cabelos crespos
Chicoteiem minha derme

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

o teu



Teu riso
Besta
Chupou-me
Numa
Gargalhada
Maliciosa

Teu riso
Bastou-me
Para
Abrir
Meus
Outros lábios...

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Hemisférios



Hemisfério Sul
do teu corpóreo
colide em berros
com o meu Norte
Labial

Hemisférios Sul
do teu corpóreo
centraliza
os teus Grandes Lábios
no miolo
da minha
fome Oral

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

água de encanamento




Que eu me sinta
A pressão de uma água
De um encanamento
Interminável

Que eu abasteça
O prazer das torneiras
De um orifício
Pra outro elemento

Que eu sacie
A sede das torneiras
Que esperam
O meu jato
Cruzando
O buraco que permite
A minha passagem

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

4 rodas


Era noite
As luzes
Do painel
E a chuva
De suores
afrodisíacos

Era noite
O vidro
Embaçado
E os pés
No volante
Hidráulico

Era noite
E os gritos
De duas
Criaturas
Torturando
O banco
Do carona
Rasgado

Era noite
E as quatro
Rodas
Girando os
Ponteiros
Da nossa
Velocidade

Era noite
E os nossos
Corpos
Fazendo um
Pega numa
Faixa contínua

Amanheceu
E a gente
Habilitou-se
A dirigir
No banco
Traseiro...