aos dias de pôr, próxima aos do nascer

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

e você, o que faria por mim?

Certa vez perguntei a ela: e você, o que faria por mim? E ela abusou dos versos e me entregou a resposta...


Por ti

Buscaria as rosas azuis
Na montanha dos teus sonhos
Escalaria o mais alto pico
Procurando a jóia ainda não encontrada

Mataria sua sede
Na fonte das lágrimas dos amantes
Entregaria minha pele para que te aqueças

Saudarei suas manhãs por entre as nuvens
Acolherei seu leito sobre um mar de essências

O que faria por você?

O que faço dos meus dias
Ofereço-te a entrega
Meu Ser. Prova de amor 
Legítimo por você.
                        R.A.

ai de mim, meu bem


ai de mim, meu bem
se não te molhasse na água do choro
enxugaria meus olhos, por ti chorar
ai de mim, meu bem
se não caísse em teus lábios bicudos
molestaria a vida, por ti adoentar

ai de mim, meu bem
se não fosse triste meu amor
sorriria meus risos, por ti sorrir
ai de mim, meu bem
se não nos esfregássemos as coxas, por ti acariciar

ai de mim, meu bem
se não fosse coisa boa te amar
abriria a viuvez ao invés de nos casar
ai de mim, meu bem
se soubesse o que é amor, pra te usar
não calaria a nenhuma delas antes de amar...

ai de mim, meu bem
se soubesse amar,
se soubesse como levar
quaisquer de todas ao meu lar
ai de mim, meu bem
se soubesse amar,
se soubesse como ser rosa
antes de elas eu despetalar...



ai de mim, pobre de mim...
o que faço com tantas?
se não sei 
com qual delas conseguirei
ficar só...

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

loucuras de um desabafo!



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Ás vezes penso que nada passou de um sonho demasiado, cansativo e ousado. Por outra, viajo em todos os momentos em que quis apenas ter. Por instantes, milésimos, mas eu tive. Ainda posso ter caso eu queira, sim eu. Um ato convencido dessas minhas loucuras me fazem ver de longe que as pessoas possam se apaixonar. 

Os passos lentos, descalços, mas eles acabam por se entregar numa caminhada mais segura. Certamente porque eu me posiciono sem nenhuma regra, sem quebrantes para aproveitar um gota a gota de uma loucura. Loucura? Será loucura viver o que pensamos? Será louco um amor de entrega? Aquele escondido e bem quietinho? 

Loucura é viver na sanidade de um mundo convencional. Loucura é moldar nosso modo de vida e nos castigar naquilo que deixamos de fazer. Queria uma análise bem absurda e irrestrita de todos os nossos momentos. Um estudo científico hemorrágico das gotas de sangue que nos ferveram quando fomos duas, dois, um, uma...

Ás vezes creio no silencio como sendo não um tempo, mas aquela pausa gostosa para anotarmos mais um verso da música. De uma música escrita com letra de forma, dedicada aos dramáticos do amor. Mas fomos a loucura reinventada ou uma forma de a gente ser temporariamente diferente e feliz? Houve porque existiu, sentimos porque fomos. 

Ás vezes, de vez nenhuma, das vezes todas eu já nem sabia mais como fazer o meu olho brilhar. O brilho era o sonho, o encanto sendo uma esperança instantânea realizada, um brilho ambicioso de que poderíamos ser qualquer coisa, um bicho, uma planta e sair voando por aí fazendo uma profunda fotossíntese... Viajar nos querendo, nos envenenando e matando a curiosidade alheia. Desculpas, o brilho não surgiu. Não porque havia morrido, mas foi um imposto pago pelos meus olhos, eles doeram quando te enxergaram sem luz, sem brilhar, sem altezas, sem um altar... Doeram ainda mais quando eles dormiram e logo ao amanhecer foram abertos sem terem sonhado mais nada... Sem lembrar a última coisa que pensaram antes de fechar as janelas!

Então, que loucura? Sonhar e nada mais? Um dia, tudo. À noite, vaga. Amanheceu e resolvi voltar para casa. Sabe por quê? Porque eu também queria ter a minha, porque eu também sei que depois do sonho vem a realidade, depois da loucura vem a sanidade, depois de um domingo vem a segunda, uma terceira e quem sabe uma quarta. Mas vem, um dia vem, e no outro voltamos a ser de quem, na verdade, sempre fomos. 


Depois de um livro, vem outro. Mas depois da dor, vem a ferida? Ou a ferida e depois a dor? Não sei, creio que deve doer bastante a dor e a ferida. Depois da enchente conseguimos enxergar o que estava abaixo da água, abaixo do rio... Sabe aquela casquinha de uma ferida que arrancamos com a ponta da unha? E depois sai um caldinho ardido? Que sensação boa arrancar a própria ferida? Mas depois dela, a casquinha volta e tudo volta a cicatrizar novamente. Sabe explicar? Porque é o ciclo normal das mitoses de nossas células...

Não quero amar sem poder amar. Não quero beber água e não saciar a sede. Não quero me apaixonar sem poder viver a paixão. Não quero me casar sem poder casar. Não quero amar porque nossas outras metades já nos amavam. Não quero brilhar o olho sem poder te ver com eles abertos. Não quero pulsar sem poder sentir. Não quero me permitir porque já somos prometidos. Fomos jurados enquanto éramos apenas dois. Mas eu amei quando pude amar, assim como me apaixonei quando havia de ser paixão. Mas eu me saciei quando houve os dois encontros. Eu pulsei quando o coração clamava mais batidas, quando ele havia de bater, latejar, batucar... Mas ele também doeu ficando mais claro de quem era eu! Do que doeu. E tudo doeu. Dizer o sim e inclusive um não. 


Eu não pude gostar porque de tudo que eu experimentei sabia que depois de um beijo, poderíamos seguir num amasso, depois um aperto, um afago e um fogo exotérmico de uma tremenda paixão. Depois dela, seguiríamos no amor... E depois dele? Nossa decisão que já havia sido decidida e nossas escolhas que já haviam sido escolhidas. Ficamos no amor porque não poderíamos ir além. Porque depois dele ninguém iria nos perturbar. 

Mas havíamos de ser apenas um par. A flor e o espinho. O cravo e a rosa. Romeu e Julieta... 



sábado, 23 de novembro de 2013

Como é que é?

Crônica publicada no jornal O Editor

Como é que é? Então existe uma fórmula para ser feliz?

Sim, gente. Existe. Leia abaixo e veja como...

Existe coisa mais desconfortável do que palpitarem a nossa autoajuda? Apesar de o nome já dizer tudo, ainda acreditamos em milagre de terceiros. Ajudar a si mesmo é começar pela própria pessoa, não é verdade? E o primeiro passo fica da boa vontade de cada um, não é verdade? As fórmulas prontas de comportamento nos ensinam os ingredientes e o fácil passo a passo. Só isso. Agora, como homogeneizar os ingredientes e chegar ao ponto, ninguém revela. Sabem por quê? Porque o movimento de uma mistura fica a critério da força de cada um, movimenta-se no ritmo próprio de sua devida produção.
                Produzir é algo que ocorre em uma escala inacabável, sendo que ela não varia de zero a dez, pois dez são as revistas com suas poções mágicas que fazem com que somos persuadidos e zero somos nós por estacionar sempre no mesmo patamar e também por desacreditarmos em nossa própria leitura interior.
                Ninguém pode saber o que de fato é melhor para cada um. Sendo assim, todo mundo esperaria pelos outros para que as regras da felicidade, do sucesso e de uma vida saudável fossem ditadas. Para isso temos de viver do modo que a gente acha que deve, desde que não interfira no modo dos outros.
                Vida cada um tem a sua e para cuidar dela existem várias outras. Se existe um segredo, seria o de se enquadrar no convencional. Mas como não existe, o convencional é fazer o que achamos em ser o melhor. Como escrevi anteriormente sobre a existência da fórmula para a felicidade, para o sucesso e até para ficar rico, abaixo transcrevo onde encontrá-las: Revistas do tipo “perca 12kg em duas semanas”, “fique rico em um mês”, “fale inglês e seja comunicativo”. Não duvido de nenhuma dessas formulas, até porque para conseguir esses resultados não seria tarefa impossível. Mas sim uma missão que teria suas devidas consequências para uma vida que tanto almejamos – a saúde.
                Pode-se perder muitos quilos em poucos dias, basta não comer saudavelmente. Pode-se ficar rico, basta não pagar as contas. Pode-se falar inglês fluentemente, basta ter dinheiro para pagar um bom cursinho.
E aí? Que tal, todo mundo magro, rico e inteligente?
Querem falar inglês pela internet, envie um e-mail para camila.cj@globo.com e saiba como...


Ok, EVERYBODY?




K………


terça-feira, 19 de novembro de 2013

Cecília

Vendo o mundo além do espelho, pois além dele eu ainda consigo me ver. Inquieta, por assim, que sou? Tão provocante que me invejo nos reflexos diferentes. São tantas refletidas que calo cega quando é demais. Mas são espelhos e eu já me quebrei em vários. Raios, cacos. Partiram-se...

                                 

Mulher ao espelho

Cecília Meireles


Hoje que seja esta ou aquela,

pouco me importa.
Quero apenas parecer bela,
pois, seja qual for, estou morta.


Já fui loura, já fui morena,

já fui Margarida e Beatriz.
Já fui Maria e Madalena.
Só não pude ser como quis.


Que mal faz, esta cor fingida

do meu cabelo, e do meu rosto,
se tudo é tinta: o mundo, a vida,
o contentamento, o desgosto?


Por fora, serei como queira

a moda, que me vai matando.
Que me levem pele e caveira
ao nada, não me importa quando.


Mas quem viu, tão dilacerados,

olhos, braços e sonhos seus
e morreu pelos seus pecados,
falará com Deus.


Falará, coberta de luzes,

do alto penteado ao rubro artelho.
Porque uns expiram sobre cruzes,
outros, buscando-se no espelho.



Flor de poemas, Editora Record, 1998 - Rio de Janeiro, Brasil


domingo, 17 de novembro de 2013

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

amor erótico



E naquela noite, do escuro veio a luz
Dos teus toques, veio o entrelaço

Em cada aperto entre nossos peitos vão
Éramos um vestido com sua roda dentada,
E eu resmungava na tua boca ardida: que beijo bom!

Detrás do pano, abraçava-me amorosa e doida
Deixou-me desaparecer por detrás deste
E sumir a língua quente em meu pescoço

Beijava-me sem destino para sentir o que se batia
A pulsação e o sangue e a fome,
Comiam-se entre subterfúgios que nos cabiam em frio
a cada mordida, eu respondia os calafrios…
E gente foi amando e nem sabíamos mais
Uma fome de um petisco amoroso?
Uma sede de uma sensualidade salgada?
Uma gula da loucura das duas?
Das 3h, de quatro…
1/4

Quis-me tão rápida que vi a morte breve.
Que na verdade, nem era uma despedida
Um jeito de achar pretexto para mais uma
Última vez.

Não consegui tê-la bem devagarzinho
Pra não te comer com meras fatias
Quis te ingerir por inteira…
Todo meu tesão de uma só vez.
Sem sobrar fôlego pra não pensar

Em como seria só mais uma…

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

minha musa


Oh,  Martha?
em que metáfora me fez mulherão?
quase que não fiz pouca coisa
e hoje sois que sois porque
sei quase amar, sendo feliz por quase nada

Oh, Martha?
cafajeste que sou me aglutino
em doidas e santas? Elas que me atraem
pela veracidade que meus olhos comem
teus textos de alma e carne

Oh, Martha?
de janeiro a janeiro, eu tremo
sou abismada ao que escrevo quando

te leio, minha musa Medeiro…ssss!

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

meu nome próprio


Queria inspirações únicas,esvai-me em momentos atípicos, vários por sinal. Foi aí então que me sinalizei, não tive um momento esperado para se escrever, pois fui abismada da fartura que me prendeu em mais de uma delas... Como se eu ficasse presa em viver nas espumas de um sabão, imersa em cada bolha flutuante, deslizando de um lado a outro e assim que aproveitei todas das que o tempo me oportunizou. 

De repente achei que havia dividido apenas uma das minhas unhas, mas foi somente um de repente. Provei as cores e formas de quase todas as unhas que ali estavam... Eram várias oblongas, as fugitivas, as bem feitas, mãos grandes e fartas, pontudas e avermelhadas, as desmaiadas que nem as minhas e as roídas que me roeram pausadamente pelo corpo, pela pele, pelo pelo, boca e cabelo... 


Aqueles momentos do meu de repente não foram mais que aquilo, já imaginava o que haveria de acontecer para estar hoje aqui pontilhando palavras. Escrevo a cada uma delas ou escrevo a cada uma? Será ser apenas a escrita a uma ou a única? Na deformidade dessas inquietações que escrevo a uma única forma, ao gosto incomparável de fazer por mim. 

Tive de espremer cada boca e espelhar teu rosto em cada rio de saliva, de baba e de gosto a se fazer um desabafo que não fosse traidor e afogado. De repente era uma, depois mais outra, queria dizer que seria apenas mais uma vez e quando vi tudo já estava acabando e eu ainda com você, a minha mesma uma. 

A madrugada foi pouca, eu queria mais uma. Mas e se o dia fosse tal como o escuro, estaria eu provando mais e mais e ainda sob a luminosidade junto a ti? E se o tempo não me trouxesse o outro dia, estaria eu ainda trêmula querendo mais, balbuciando o retardar do relógio, acariciando-te até afrouxar teus lábios? Mas a noite findou num inglês perdido e desalinhavado. Ok everybody? Mas haviam bodes logo ali? I soo, soo... 

Tal como foi todas as nossas despedidas nessa língua desbocada, foi também a minha partida de todas as que beijei. E eu achava que o mundo era redondo? Hoje eu sei também que ele tonteia, foram tantas voltas que fiz que teu ser acabou vencido por uma última volta da tua própria língua e logo já estava dormindo. Fui total e breve naqueles encontros, não havia tempo e eu ainda tinha que escrever, não que isso fosse mais uma coisa a se fazer e muito menos um fardo a carregar, mas sim um ato explícito de se querer mais, mais que a mim, pois por mim a sós o meu fardo já bastava. 

Cansei do eu poético de fantasiar, inquieta pelas minhas ideias certas, aí eu me joguei, rolei, conheci tantos beijos que me fizeram esquecer dos nomes, mas não me deixaram esquecer de cada um deles. Hoje tenho várias musas experimentadas que já não sei onde encontrar. Não foi em Pasárgada, mas cheguei quase lá.

 Queria ver teu ciúmes adoidado escutando tua voz exausta me chamar, clamando um "agora chega" sem ao menos cobrar, me chamando sem precisar dar satisfação pois nós sabíamos que mais tarde iríamos nos satisfazer da mesma loucura. Acabei por testar o meu ciúmes também, saber do gosto que  ficou eu tua boca, comparar se foi o mesmo na minha, dividindo os lábios e concluir que nós duas girávamos ao redor de nós mesmas, sendo nós formada por apenas um eixo. 

E a madrugada ia se esgotando e as opções também. Foi ai então que o mundo foi misturado e os corpos não paravam de nos completar. Resumo tais beijos dizendo que de todas és uma. 

Que a mim és uma. Que dos experimentos és o princípio ativo. Que das essências és óleo essencial. Que de todos os toques és o latejo. Que de todas as unhas és vermelha. Que de todas as mulheres és a feminina. Que de todas as feridas és o que és porque fui também. Que de todas as noites és aquela que não chega. Que de todos os braços és o único que rodeia minha cintura. Que de todas as bocas és o beijo. Que de todos os orgasmos és o desbocado com palavras curtas e repetitivas. Que de todos os sonhos és o âmbar amanhecido. Que diante de todas as que já tive és a que me escreve no reflexo dos teus olhos pequenos depois de gozados...

Meu nome próprio não era um pseudônimo.