aos dias de pôr, próxima aos do nascer

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

meu nome próprio


Queria inspirações únicas,esvai-me em momentos atípicos, vários por sinal. Foi aí então que me sinalizei, não tive um momento esperado para se escrever, pois fui abismada da fartura que me prendeu em mais de uma delas... Como se eu ficasse presa em viver nas espumas de um sabão, imersa em cada bolha flutuante, deslizando de um lado a outro e assim que aproveitei todas das que o tempo me oportunizou. 

De repente achei que havia dividido apenas uma das minhas unhas, mas foi somente um de repente. Provei as cores e formas de quase todas as unhas que ali estavam... Eram várias oblongas, as fugitivas, as bem feitas, mãos grandes e fartas, pontudas e avermelhadas, as desmaiadas que nem as minhas e as roídas que me roeram pausadamente pelo corpo, pela pele, pelo pelo, boca e cabelo... 


Aqueles momentos do meu de repente não foram mais que aquilo, já imaginava o que haveria de acontecer para estar hoje aqui pontilhando palavras. Escrevo a cada uma delas ou escrevo a cada uma? Será ser apenas a escrita a uma ou a única? Na deformidade dessas inquietações que escrevo a uma única forma, ao gosto incomparável de fazer por mim. 

Tive de espremer cada boca e espelhar teu rosto em cada rio de saliva, de baba e de gosto a se fazer um desabafo que não fosse traidor e afogado. De repente era uma, depois mais outra, queria dizer que seria apenas mais uma vez e quando vi tudo já estava acabando e eu ainda com você, a minha mesma uma. 

A madrugada foi pouca, eu queria mais uma. Mas e se o dia fosse tal como o escuro, estaria eu provando mais e mais e ainda sob a luminosidade junto a ti? E se o tempo não me trouxesse o outro dia, estaria eu ainda trêmula querendo mais, balbuciando o retardar do relógio, acariciando-te até afrouxar teus lábios? Mas a noite findou num inglês perdido e desalinhavado. Ok everybody? Mas haviam bodes logo ali? I soo, soo... 

Tal como foi todas as nossas despedidas nessa língua desbocada, foi também a minha partida de todas as que beijei. E eu achava que o mundo era redondo? Hoje eu sei também que ele tonteia, foram tantas voltas que fiz que teu ser acabou vencido por uma última volta da tua própria língua e logo já estava dormindo. Fui total e breve naqueles encontros, não havia tempo e eu ainda tinha que escrever, não que isso fosse mais uma coisa a se fazer e muito menos um fardo a carregar, mas sim um ato explícito de se querer mais, mais que a mim, pois por mim a sós o meu fardo já bastava. 

Cansei do eu poético de fantasiar, inquieta pelas minhas ideias certas, aí eu me joguei, rolei, conheci tantos beijos que me fizeram esquecer dos nomes, mas não me deixaram esquecer de cada um deles. Hoje tenho várias musas experimentadas que já não sei onde encontrar. Não foi em Pasárgada, mas cheguei quase lá.

 Queria ver teu ciúmes adoidado escutando tua voz exausta me chamar, clamando um "agora chega" sem ao menos cobrar, me chamando sem precisar dar satisfação pois nós sabíamos que mais tarde iríamos nos satisfazer da mesma loucura. Acabei por testar o meu ciúmes também, saber do gosto que  ficou eu tua boca, comparar se foi o mesmo na minha, dividindo os lábios e concluir que nós duas girávamos ao redor de nós mesmas, sendo nós formada por apenas um eixo. 

E a madrugada ia se esgotando e as opções também. Foi ai então que o mundo foi misturado e os corpos não paravam de nos completar. Resumo tais beijos dizendo que de todas és uma. 

Que a mim és uma. Que dos experimentos és o princípio ativo. Que das essências és óleo essencial. Que de todos os toques és o latejo. Que de todas as unhas és vermelha. Que de todas as mulheres és a feminina. Que de todas as feridas és o que és porque fui também. Que de todas as noites és aquela que não chega. Que de todos os braços és o único que rodeia minha cintura. Que de todas as bocas és o beijo. Que de todos os orgasmos és o desbocado com palavras curtas e repetitivas. Que de todos os sonhos és o âmbar amanhecido. Que diante de todas as que já tive és a que me escreve no reflexo dos teus olhos pequenos depois de gozados...

Meu nome próprio não era um pseudônimo.

Um comentário:

Anônimo disse...

Ferrugem...aparelho...entende? Emoção. Belas palavras. Renderam lágrimas.