aos dias de pôr, próxima aos do nascer

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Pôs a mão sobre meu ombro


...
Sirvo à vontade das tuas mãos
que me oferta presságios
escoro entre os dedos o lambuzo
no abuso de tamanho anseio
ajusto a palma no meio,
os seios

A tua outra molha entre as piruetas
da minha boca perversa
escalda, mais tarde, pelo meu lábio
que escapa uma baba, o fluído

Acalma-te, será mais tarde
a calda que borbulharás as minhas tiradas!



Teus lábios letárgicos bastam
para que um beijo, um dedo dele
a gota, em toque
a água, em gozo
façam-me estremecer o corpo inteiro.

Palmas! Quero palmas!
na elegância para não se perder o cuidado.
Palmas, palmas...
o teu amor, o corpo, a pele, o cheiro.
Palmas!

O dia em que se encostou a mim,
franzi, encrespei, arrepiei...
e hoje não sei o que é ser morna.

Palmas!




segunda-feira, 20 de junho de 2016

venha devagar

venha devagar, se é que vens
sei bem que às vezes voa rápido
mas não deixe a luz do dia dormir
para de amor me cobrir
reamar - reatar - recontextualizar 
é parte da nossa alma, carne, fome.



venha devagar, como sempre chegou
sei bem que por instantes passa um trovão
que nem piscar um olho
quando vê amanhã poderá ser outro dia
e o amor, uma eterna noite escura

venha devagar, assim como sou
vestida ou nua
sou tua,
enxerga-me, sem precisar dizer: por favor!

venha devagar...