aos dias de pôr, próxima aos do nascer

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

loucuras de um desabafo!



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Ás vezes penso que nada passou de um sonho demasiado, cansativo e ousado. Por outra, viajo em todos os momentos em que quis apenas ter. Por instantes, milésimos, mas eu tive. Ainda posso ter caso eu queira, sim eu. Um ato convencido dessas minhas loucuras me fazem ver de longe que as pessoas possam se apaixonar. 

Os passos lentos, descalços, mas eles acabam por se entregar numa caminhada mais segura. Certamente porque eu me posiciono sem nenhuma regra, sem quebrantes para aproveitar um gota a gota de uma loucura. Loucura? Será loucura viver o que pensamos? Será louco um amor de entrega? Aquele escondido e bem quietinho? 

Loucura é viver na sanidade de um mundo convencional. Loucura é moldar nosso modo de vida e nos castigar naquilo que deixamos de fazer. Queria uma análise bem absurda e irrestrita de todos os nossos momentos. Um estudo científico hemorrágico das gotas de sangue que nos ferveram quando fomos duas, dois, um, uma...

Ás vezes creio no silencio como sendo não um tempo, mas aquela pausa gostosa para anotarmos mais um verso da música. De uma música escrita com letra de forma, dedicada aos dramáticos do amor. Mas fomos a loucura reinventada ou uma forma de a gente ser temporariamente diferente e feliz? Houve porque existiu, sentimos porque fomos. 

Ás vezes, de vez nenhuma, das vezes todas eu já nem sabia mais como fazer o meu olho brilhar. O brilho era o sonho, o encanto sendo uma esperança instantânea realizada, um brilho ambicioso de que poderíamos ser qualquer coisa, um bicho, uma planta e sair voando por aí fazendo uma profunda fotossíntese... Viajar nos querendo, nos envenenando e matando a curiosidade alheia. Desculpas, o brilho não surgiu. Não porque havia morrido, mas foi um imposto pago pelos meus olhos, eles doeram quando te enxergaram sem luz, sem brilhar, sem altezas, sem um altar... Doeram ainda mais quando eles dormiram e logo ao amanhecer foram abertos sem terem sonhado mais nada... Sem lembrar a última coisa que pensaram antes de fechar as janelas!

Então, que loucura? Sonhar e nada mais? Um dia, tudo. À noite, vaga. Amanheceu e resolvi voltar para casa. Sabe por quê? Porque eu também queria ter a minha, porque eu também sei que depois do sonho vem a realidade, depois da loucura vem a sanidade, depois de um domingo vem a segunda, uma terceira e quem sabe uma quarta. Mas vem, um dia vem, e no outro voltamos a ser de quem, na verdade, sempre fomos. 


Depois de um livro, vem outro. Mas depois da dor, vem a ferida? Ou a ferida e depois a dor? Não sei, creio que deve doer bastante a dor e a ferida. Depois da enchente conseguimos enxergar o que estava abaixo da água, abaixo do rio... Sabe aquela casquinha de uma ferida que arrancamos com a ponta da unha? E depois sai um caldinho ardido? Que sensação boa arrancar a própria ferida? Mas depois dela, a casquinha volta e tudo volta a cicatrizar novamente. Sabe explicar? Porque é o ciclo normal das mitoses de nossas células...

Não quero amar sem poder amar. Não quero beber água e não saciar a sede. Não quero me apaixonar sem poder viver a paixão. Não quero me casar sem poder casar. Não quero amar porque nossas outras metades já nos amavam. Não quero brilhar o olho sem poder te ver com eles abertos. Não quero pulsar sem poder sentir. Não quero me permitir porque já somos prometidos. Fomos jurados enquanto éramos apenas dois. Mas eu amei quando pude amar, assim como me apaixonei quando havia de ser paixão. Mas eu me saciei quando houve os dois encontros. Eu pulsei quando o coração clamava mais batidas, quando ele havia de bater, latejar, batucar... Mas ele também doeu ficando mais claro de quem era eu! Do que doeu. E tudo doeu. Dizer o sim e inclusive um não. 


Eu não pude gostar porque de tudo que eu experimentei sabia que depois de um beijo, poderíamos seguir num amasso, depois um aperto, um afago e um fogo exotérmico de uma tremenda paixão. Depois dela, seguiríamos no amor... E depois dele? Nossa decisão que já havia sido decidida e nossas escolhas que já haviam sido escolhidas. Ficamos no amor porque não poderíamos ir além. Porque depois dele ninguém iria nos perturbar. 

Mas havíamos de ser apenas um par. A flor e o espinho. O cravo e a rosa. Romeu e Julieta... 



2 comentários:

Anônimo disse...

lindo...lindo...cada vez que leio reforço a convicção da minha fidelidade a um juramento...permaneço com o amor a Ela, e que Ela seja sempre feliz, sem medo de viver os momentos roubados que a vida oferece!

Juliani disse...

Não há outra forma senão esta, de compartilhar contigo...não há outras palavras senão as tuas para explicar, hj, que te entendo, sei exatamente o que viveu, sentiu. O que vivo e sinto hoje. Como vc diz, voltando (novamente), a me entregar à minha caminhada mais segura...voltando para de quem sempre fui. Desculpa, foram as tuas palavras que me vieram à mente e me deram a exata dimensão deste teu sentimento. E mais uma vez, perdão.