aos dias de pôr, próxima aos do nascer

quinta-feira, 9 de maio de 2013

poema de uma lição militar - parte I

poema escrito durante o nosso último campo...
a chuva levou boa parte das minhas palavras...
PARTE I



A marcha deu início sob a luz daquele astro
a chegada cedeu o nascer do Sol dourado
a cadência que virou por si entre a madrugada e nossa estada
entre o dia e a noite, uma única estrela se fez camuflada
céu claro, lua cheia e a farda envergada
futuros militares agarrados nas fibras de um mesmo fal


Os corpos guiavam-se nas cegas do companheiro alado
o coração batia forte empurrando o corpo já cansado
o peito respirava fielmente sob a base do fuzil
a mochila pesada equilibrava a nossa força orgulhosa
os batimentos, pela chegada a mil


A estrada que não se era enxergada pelo fosco noturno,
via-se sentida pelos passos de nossos coturnos
a fome, a sede e o cansaço depois de horas andando falso
firmaram-se na garra à própria vida, cinco horas e ainda era a ida
duas paradas de poucos minutos para fazer uso do cantil
e jogar sobre nossas encostas o fardo pesado do fuzil

Fora isso, o meu mundo paralelo gritava teu penhor
clamava o brado da tua saudade serena entediante
sem papel para poetar e nem como ouvir tua voz versátil morena
assim, eu ia te imaginando nas beiras daqueles rios gris
bebia a tua sede, saciava-me com a lágrima da tua ausência
seguia te escutando dizer o quanto me amava ao som de mim a sós
sentia a falta da tua presença, sentia a tua presença na carência
turbilhão de pensamentos rodeavam aonde estaria…
nos amigos, nas vizinhas?
acendendo velas por mim…
em passar depressa e acabar com o fim.



Um comentário:

PONCHE VERDE DA CANÇÃO GAÚCHA disse...

Introspectividade de uma realidade vivida de forma tão intensa... Orgulhoso de ser teu companheiro ao lado durante a marcha te guiando, sendo guiado por ti!