aos dias de pôr, próxima aos do nascer

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Preparo.Da.Lentilha

 
Era o teu brilho. O meu corpo.
A lua. Os fogos e o nosso silêncio.
Era o teu olhar. O meu beijo
Eram nossos corpos e os foguetes.
Era eu, os grãos e ano novo.

Era o meu ouvido. O teu susurro.
Eram todos os barulhos. Era minha escuta
A tua fala. Era minha boca:
Grudada na tua expressão.
Era eu doida. Preparando a lentilha
Servindo outras pessoas
E colocando o meu gosto
Mesmo sabendo
Que você não comeria aqueles grãos.

Era eu assim. Meio que de canto.
Às vezes de lado. Vesga e sem sinal.
Cortando o bacon. Os dedos.
E o coração também.
Às vezes pondo mais água
Aumentando as servidas
Mesmo sabendo
Que você não comeria aqueles grãos.

Era eu mexendo. Acariciando o caldo.
Provando o sal. Mais água.
Provando o sal. Mais água.
Provando o sal. Mais água.
Era eu. Matando a nossa sede.
Era eu. Não sabendo cozinhar
Sem ter a tua boca para degustar
E nem comer aqueles grãos...

2 comentários:

Poesia Cibernetica disse...

Adoro essas coisas assim..essa mistura, esse sabor...

Talita Camargo disse...

Nossa..amei o jeito que tu escreve ..estou seguindo .. e vlw por visitar o meu^^ beijos