aos dias de pôr, próxima aos do nascer

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Nenhum Verso...



Nenhum explica a porcaria de um amor
Nenhum verso explode por dentro meus dias
Nenhum sente o que corrói a ferrugem da espera
Nenhum arrebenta o sangue empedrado por paixão
Nenhum derrama águas de todos íntegros divinos
Nenhum recita o pudor de querer mais de ti
Nenhum fala de tudo que derreteu nosso mundo
Nenhum consegue pronunciar essa ardência de quando foi embora
Nenhum é digno do que vivi por você
Nenhum cheira podre como eu aqui
Nenhum sangra todos os dias e limpa o próprio corpo
Nenhum mofa por esperar os nossos dias
Nenhum tem sentidos descontrolados ao te ver
Nenhum deles encara essa minha força pra viver
Nenhum deles vive e vegeta sem sentido
Nenhum deles come a insônia de tudo que eu fiz
Nenhum deles morde os arrependimentos de todas as culpas
Nenhum deles vaga a angústia de todas as perdas
Nenhum deles detona minhas lembranças do que não aconteceu!
Nenhum deles me faz esquecer de você!
Nenhum deles morre longe de todo mundo...
Nenhum deles perdeu a virgindade dos dias que não vieram!
Nenhum deles é valente o suficiente pra arrancar do couro a própria cicatriz!!!

Nenhum deles é nós...
e nem eu
e nem você!

Eles tentam
mas o que sinto
Arrebenta com todas as escritas...

Eu escrevo com as tuas mãos
Eu te escrevo...
Alguém pode escrever algo pelas minhas?

Um comentário:

Vivian Dias disse...

Sabes que ja vivi, por assim dizer, uma porcaria de amor que nenhum verso explicaria...
Bom final de semana!