aos dias de pôr, próxima aos do nascer

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

A velocidade das Coisas



 
A velocidade das coisas é tudo muito rápido, mas rápido mesmo. E pra descrever essa sensação de velocidade é dose, é aquela dose de vodka que desceu rasgando, é chimarrão entupido que você prendeu os lábios e fez força e o jato de água veio com tudo e desceu rasgando o esôfago, tudo muito rápido... Você nem vê e já dói, você nem toca e já sente... E as coisas são ligeiras, é ligeiro aquele pum que não deu tempo nem de espremer o bumbum, é ligeiro pra você ficar velho, é ligeiro pra terminar um namoro de longos tempo: só com uma prova de outro beijo você consegue, é muito rápido. É só um toque, é só uma outra língua e você já é dispensado. Como é veloz o sangue quando ficamos envergonhados, ele se larga todo pra cabeça somente com uma palavra, como é que ele escuta? E você começa a suar, tremer e gaguejar em menos de minutos você faz tudo isso. É preciso só um toque em uma das coxas pra que você fique com os olhos entreabertos, a pele rosada e de boca aberta e bem abobada, você até baba e pensa em agarrar suas próprias mãos para fazer justiça. Uma dor é também muito rápida, você dá um soco nos testículos e já fica sem ar, você levanta da cama correndo pra atender o telefone e enrosca o dedo mínimo do pé no canto do roupeiro e já é suficiente pra não atender a ligação. E a velocidade das coisas não tem ponteiros, nem números e nem subjetividade, é simples: os dias se emendam um no outro como sendo sempre o primeiro, só que muito mais rápido do que foi ontem e menos do que amanhã. O café também esfria muito rápido, você tomas uns goles e ele já perde o calor e a vontade de tomar mais, o dinheiro também vai muito rápido, as pessoas compram Marcas. O relógio desperta e você coloca mais dez minutos e não passou nem três e ele já toca novamente. E aquele movimento peristáltico do intestino?Logo quando está na rua, longe de casa e de qualquer amigo, a dor de barriga é tanta que você em minutos imagina muitas coisas: Imagina-se há uma quadra de sua casa, já com a chave certa na mão e com o zíper aberto, com a calça abaixada e sentando-se no vaso e sentindo aquela sensação de alívio, mas você ainda está na rua e a dor até passou de tanto que você caminhou com as pernas fechadas... E é tudo tão rápido, as coisas vêm e vão, doem por um tempo e depois passa, você nasce, é bebezão, criança, adolescente e já cria pêlos no corpo e os corta e eles vêm novamente, os brancos surgem e você começa colorir os cabelos... E as rugas, você até tenta sorrir menos para não estragar o botox, mas você envelhece igual: é tudo tão rápido, é tudo tão lindo!

Um comentário:

Rose disse...

Adorei o texto!
Realmente como a nossa vida é...
veloz, ligeiramente curta, curtindo essas correrias!
Abraço!
Rose