aos dias de pôr, próxima aos do nascer

quarta-feira, 2 de março de 2011

Desconhecidas




Como pode minha desconhecida?
Nossa estranheza nos jogar na cama
Seguindo adiante em nos desconhecer
Calei-me na interpretação das tuas tatuagens
Não perguntaste por que roia minhas unhas
Apenas, nos beijamos e engolimos os porquês.
Dormiste com uma garota
E eu conheci mais uma mulher
Como pode minha desconhecida?
Esse descompromisso nos levar ao amor
Como pode?
Talvez fossem dispensadas as cicatrizes
Talvez já nos conhecêssemos nas mesmas marcas
Talvez já entendêssemos que no amor
Não há muito que compreender além disso

Sem vem algo a recordar
São os lábios entrelaçados
Nada além pra conversar
Numa noite inconseqüente
Em que nossas carências alimentavam-se de vinho
E nossas línguas tortas giravam na falta de assunto
Soletrando o prazer nas paredes da cozinha
Escorando nosso silêncio
Nas quatro bocas de um fogão
Parecíamos duas gagas
Rumo a uma canção composta
Pelo medo de mais uma senhora permissão
Então, os meus dedos encaixaram-se nos teus
As tuas mãos pegaram as minhas
Brinquei com o teu alargador
E tu com o elogiar do meu sorriso
Eu, muito educada respondi: Obrigada!
Respeitei a tua altura e flexionei centímetros os joelhos
As pontas das coxas roçaram-se por vontade imprópria
O vinho tomou posse do calor
E nós, já empossadas por si só com o ar quente
Que trocávamos no intervalo de cada beijo
Como pode minha desconhecida?
Um, dois, três e...
Quando me dei conta
Me fui, me joguei
Te amo com a mesma altura de antes
Esse descompromisso mereceu ser chamado de amor...

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