aos dias de pôr, próxima aos do nascer

terça-feira, 31 de maio de 2011

porque sim e pronto!



Porque eu sabia que a tua plenitude me ensinaria a ser mais forte. Talvez, pudesse compreender minhas inquietações e a própria lágrima – entender seu mecanismo de escoamento. Um caso de estudo para o meu silêncio, para os filmes que tanto solucei sozinha, que tanto te beijei neles, que tanto olhava o brilho dos personagens e admirava nós em vida real. A gente acelera o futuro, arrumamos a mala todas as manhãs e titubeia sempre a mesma volta, pelo mesmo caminho e pelo mesmo cano furado. Essa história é linda, sejamos nós separados e confiantes numa única espera, sejamos nós confusos em esperanças. Não sei, você também não. A única verdade eterna são as lembranças, mas desde que bem lembradas. Quantos momentos de arrego e cansaço da nossa correria de pintar os quadros naquela arte de apenas amar de forma doida, louca, nua e desbocada. Foi muito rápido, uma faísca, um relâmpago e tchimbum: você foi embora. E tchimbum: eu não aceitei. E a gente ficou se vendo apenas entre um relâmpago e outro, entre um clarão e outro naquela marcha lenta da velocidade da luz. Quanta coisa para escrever pra você, quanto turbilhão de unhas que arranham esse meu pobre coração, quanta unha encravada ainda esculpidas com o teu esmalte. Não me esmague, outra vez. Não me iluda, outra vez. Não me nada, dessa vez. Porque me isso e me aquilo e a gente não pode negar baby, tudo aquilo foi amor. Todas as fotos que tenho arquivadas na pupila desse olho cego demonstram você sorrindo em todinhas delas. Não teve tristeza, nem dor e nem rancor. A gente doía por sentir falta, a gente chorava de saudade e o rancor, ahhh esse não teve. Caso você tenha lembrança de alguma tristeza, diga para mim e me permita fazer uma explicação. Permita eu chorar com você também pela tua lágrima. Cegamente, as coisas fluíram, foram e pra sempre e nada mais. Por mais que eu entre no carro, ligue o som e dance com o poder na minha imaginação a nossa valsa, àquela valsa que um dia a gente tanto ensaiou para fazer bonito, para deslizar com elegância num tapete de retalhos que a gente fez questão de costurar, porque você sempre vem e não existem motivos para você ficar aí, ou existe? Acredito que pra mim não, pra mim você sempre tem que ter porque não existe razões nenhuma para sair do lugar de onde surgiu: do meu coração. Ora, imagina escapar de mim uma coisa tão boa, se eu que sou eu já me conheci e já me sei como me fazer bem. Não quero destruir essas lembranças, nem quero perder o teu rosto, o sorriso e esquecer tua fisionomia, porque eu me adaptei a esse meio, porque eu nunca terminei contigo e sobre o teu amor a mim, isso já não me incomoda porque mesmo sabendo o quanto não me ama: eu não me importo e isso não interfere em nada no meu que tenho a você. Só me deixe só, por favor. Deixe-me aqui te amando dessa minha forma quietinha. 

*foto: Luara Mayer

3 comentários:

Fernanda Fávero Alberti disse...

Ainda que teus olhos vertam lágrimas, não desista.
Muito profundo, professora.

SolBarreto disse...

Caramba menina, você é danada de boa!
Ás vezes você vai tão fundo nos sentimentos, nas emoçoes que transpassa isso em cada palavra!
ADORO esse seu jeito de escrever!!

Luara Mayer disse...

fiquei bem emocionada pela minha foto estar vinculada a algo tão lindo.