aos dias de pôr, próxima aos do nascer

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

somos o que não há



Somos tudo que há de não ser
em cada orifício que veda em
absorver os sulcos do imortal amor
a selvageria da perda, em gotículas
represas da dor

Somos navio em terra firme
quando se esgotam as lágrimas
de que não existe mais um braço
que reme por nós, aos nós do que há

Somos indivíduos do ar
em sombra atmosférica de tantos pousos
sendo a decolagem das nossas
últimas descidas e voos

Somos menos que animais
e não mais que vira-latas em
único chão que nos direciona
a latir por tanta corrupção

Não somos mais nada
não porque não há
somos nada porque
não sabemos que existe
alguém que ainda
saiba perfeitamente
nos amar

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