aos dias de pôr, próxima aos do nascer

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

mastiga-mastiga-mastiga e não sai nada a pobre migalha


 

como me notas? 
pela presença ou oratória?
quando fico muda, há certeza da solidão
quando falo tanto-tanto, meu alento, desconfia
já não sei mais se digo ou desdigo
quanto mais dialogo, penso
logo que existo
mas na verdade mendigo
o pouco-pouco que tenho em você

podes aparecer pra mim?
não vês que a tua vida é tudo um sinistro
quando falas, tua voz trêmula
te entrega pro abismo
tu não és desse mundo
e tampouco ouço o que falas

 tu não dizes um “ai” quando me olhas
sai muito mais a tua fala naquele poema
do que tu mesmo em prol da gagueira
só-letra o teu ‘p’ de pena
depena e depena
mastiga-mastiga-mastiga e não sai nada
a pobre migalha
que é o sangue de quando foi embora

não dizes um “ui” quando me olhas,
um legítimo Bitato que muito me ralha
melhor não saber o que achas
se tudo que ainda sei é nada
imagina sabendo tudo
não achando nada

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