aos dias de pôr, próxima aos do nascer

segunda-feira, 19 de março de 2012

Terminar é a ferida, mas não a que vai matar.

 

Já vivi, oportunizei-me, recriei, permiti mais de uma, duas, três e assim foram várias vezes. Mas quando abrimos os olhos, levantamos a cortina e a janela, o sol não se parece tanto quanto aquele... Já se vai mais uma manhã, já se foi mais um sorriso, talvez um amor. Mas de nada adianta não fazer nada, nada adianta não despistar a nós mesmos, dar pistas aos outros, direcionar e sermos objetivos e não objetos para que nos toquem a toda hora. Nada disso, queremos é amar, sorrir com o mesmo sol, agradecer a manhã maravilhosa e estar se sentindo amada. Aprendi que chorar é bom, faz bem. Aprendi também que não conseguir parar de chorar já é outra história, não tão bom, não muito bom, mas que se for lá de vez pode ser bom.  Sentimos quando algo está para acontecer, é o que dizemos em “estou sentindo uma sensação estranha”. Quando isso acontece dá medo, fraqueza, insegurança, parece que os pés estão soltos numa corda bamba, em duas, em cinco, em milhares. Arrepios, sudorese, febre e assim vai. Vai, para algum lugar vai e o pior é que sabemos disso também, lugar chamado um tão somente terminou e nada mais. Aceitamos ou não? Claro que não, nunca, jamais aceitar o término desde que seja naquele momento. Mas o fim, esse sim,  aceitamos independente do tempo. Tem fim para tudo, fim de fim e fim de finalidade, mas aqui a finalidade é outra, é a do acabou. Tudo que terminar em ou, acabou, terminou, namorou, voltou, ou, ou, ou... finalizou! Escrevo com a incerteza de que farei o que estou escrevendo, mas escrevo com vontade de chorar desesperadamente de novo, e isso é o que me faz cumprir essas palavras. Eu sinto isso, sinto que o nosso encontro já foi cumprido, que a nossa missão já alcançada e que já aprendemos o que tínhamos em aprender, e que se continuar a história já concluída, podemos sim apagar toda essa aprendizagem, podemos apagar com as nossas próprias lágrimas e borrar as folhas da nossa história... Por que digo isso mesmo ainda amando um ao outro? Por quê? Porque mesmo sabendo que a tatuagem não sairá da tua pele, ela poderá perder o significado, perder seu único sentido, seu único ingrediente: respeito. Respeito em poder acreditar, respeito em planejar e respeito em simplesmente respeitar... O momento está vindo tão depressa quanto a ida do encanto, da conquista, do bilhetinho e da flor. Por mais que desconfie, não desacredite na reconquista, pois somente ela que poderá resgatar a confiança de uma crença, de uma paixão. Deveríamos fazer isso, aquilo e aquele outro. Mas na verdade o segundo plano nos deixa no terceiro, no quinto e no quarto. Mas é melhor ir para algum plano do que não ter nenhum. Errei, pequei, omiti. Por que será? Assim como também acertei, amei e sorri. Por que será? Porque houve falhas e egoísmo, assim como também houve carinho e compaixão. Terminar com alguém é enxergar além, enxergar um sentido no que se quer, não somente para um, mas sim para as duas pessoas. Terminar é poder ver o outro lado da vida que está esperando para ser começado. Terminar é aprender que um das coisas mais bonitas se foi e que outras tantas serão belas quanto... Terminar é valorizar o daqui pra frente, o daqui em diante, sem esquecer as coisas boas que nos trouxeram e deram forças para terminar, para pronunciar essa palavra tão apavorante que nos deixa impotentes em ir para outro lado... O lado de cá foi bom, aprendi, conheci. O lado de lá nos espera para nos conhecer melhor e quem sabe um dia aprender a aprender, amar a amar... Dói, mas passa. É ferida, mas não a que vai matar. É o choro, mas é o bom. É o desequilíbrio, mas não a queda. É a perda, mas não a morte. É um lado, mas não o outro.

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