aos dias de pôr, próxima aos do nascer

sexta-feira, 16 de março de 2012

versão do verso

 
parece aversão que tenho, que se tem
mas o fato é a versão do teu verso
uma cópia, a frente; a outra, o verso

veja bem, sabe quem é quem?
o veludo que venda
as várias vezes das voltas, meu vício
é o mesmo que vem, invade
a vida que voa, vive e vegeta
lá de fora, vigorada

se escrevo, o que escrevo
e tomara escrever, é meu...
o vício é meu, a vida é minha
e você?
você é a voz do verso
o peito gigante do poema
a respiração da rima
o A do amor do Azevedo,
dos Augustos e de todos os Anjos...

é também a ida que volta depressa
a reza que não pede prece
o amor válido que não vence,
que não vale caso
que não chore
caso que não sofra
caso que não nada
por que tudo se faz no não alguma coisa
no não óbvio
no não objetivo
quando se tem o objeto direto-reto amor
nas cordas do violão, a voz
no pulso que pulsa permanentemente
por uma mesma pessoa...