aos dias de pôr, próxima aos do nascer

segunda-feira, 16 de abril de 2012

meu eu vagabundo


corpo perpétuo, crepúsculo
como pisca o pisco da tua garganta
quando chora, veda a névoa
a noite
tudo finda,
acabam as fendas, as cinas
de mais um dia

rosto liso, pranto branco
voz enfraquecida, rouca
tímida
que treme, gagueja em dizer o que pensa
o teu nome seria plenitude
caso não fosse esse
caso não fosse nome de santo
caso não tivesse vindo ao mundo
e nem morrido cá dentro do meu eu
vagabundo

não pude apagar suas fotos,
não pude
seria como se afogasse meus poemas
num breu, num açude

não pude não pensar mais
não pude evitar, lembrar
o sorriso, a pupila e o espírito

a gente não se pode nada
não se pode deixar
não se pode poder parar
porque tudo podemos
quando não há nada a perder

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