aos dias de pôr, próxima aos do nascer

sábado, 2 de novembro de 2013

Sono provisório


Madrugada, agora, quatro e cinco da manhã. Perdi-te no sono. Uma boa troca de estarmos juntos na mesma noite desta insônia. Cadê minhas perguntas que não chegaram até você? Onde andas nesta madrugada? Sim, eu sei. Estás aqui comigo, presente. Onde não andas, então? Não deves estar dormindo comigo. A musicalidade da sincronia do relógio me fez lembrar aquele poema: … café com pão, café com pão… “ Pois esse tic-tac, tica-tac repetitivo me mostra, aos poucos, do quanto estou perto de ti, sentindo a tua presença nesta saudade devastadora que nem meus olhos quis fechar para que pudesse te ver, te enxergar. 

Pena, não consigo tocar tua voz, nem sequer teus lábios sonolentos. Mas sei que dormes longe daqui, sei também que estás tão acordado perto de mim. Será que faltou o beijo de boa noite para que pudéssemos dormir? Ou será que errei em não ter te acordado com beijos esta manhã? Alguma falha me faz um questionário de inquietações. Espero que tenha havido somente uma falha de comunicação, pois queria tanto, mas tanto, tanto mesmo ter ouvido tuas palavras e teu riso de coisa boa que acabei por esquecer que não temos nenhum compromisso. 

O erro foi eu ter me ocupado muito com tua lembrança. Acertei quando resolvi de escrever pra abafar essa agonia e desabafar tudo que ainda, um dia, irá me ler. Talvez durma de cansaço dos próprios dedos das mãos, pois quero escrever até cansar, até esgotar não o vocabulário, mas sim a minha paciência. Calma aí, vou acender um cigarro. Pronto. Voltei. Onde estávamos mesmo? Ah, sim. Lembrei. Estou em você e lembrei tua falta. às vezes pareço uma hipérbole gigante de tão exagerada que me sinto, mas na realidade sinto um vácuo e um vazio que ecoa em sentir que tudo aquilo que me preenchia era a tua existência. Não que tenhas deixado de existir, mas creio que o complexo fato de estar se distanciando me faz se aproximar ainda mais da simplicidade óbvia de que não deveria nem ter te beijado. Sim, fui eu que te beijei aquela primeira vez e a  segunda também. Mas a nossa última fomos nós. Digo a última pra te deixar culpado porque sempre clamou um beijo de despedida. Quero terminar contigo tudo que vivemos, quero terminar esta noite para que eu possa começar quem sabe meu sono, e assim nem sonhar contigo. 

Quero te rasgar dos meus poemas e te fazer só em versos para que um dia eu te leia e caia na realidade que tudo que eu escrevia era tão somente desespero. Quero que vá embora como uma chuva que molha a terra e deixa seu cheiro. Quero sentir um perfume e tocar teu aroma, assim como queria tanto tomar banho de chuva contigo e poder te secar naturalmente, enxugando-te com o calor de um lindo sol que a natureza nos oportunizou. Quero que assim seja tudo que digo porque daqui a pouco será outro dia e eu lembrarei dessa minha insônia melosa. Ah, agradeço a inspiração que tens me ofertado, pois meu poema não me alimenta assim como tua saudade já me condena em viver dessa pobreza. Quero não te querer mais perdido nessa ilusão de que um dia podemos nos desencontrar, pois encontrados já fomos. Daqui a pouco eu caio na cama e digo que mais uma vez irei te chamar mesmo sem sono, irei te buscar mesmo sem rumo, irei fazer alguma coisa para escutar teu nome  irei aonde estiveres só para me queixar dessa noite que tu me roubou alguma coisa, que roubou meu alento em silêncio. 

Câmbio, desligo, pois te chamo e nem uma força oculta me expressa a resposta de estar perdida. Perdi-me de você. Perdi-me aonde deveria nem ter te achado. Bendito dia em que nos encontramos. Fim!


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