aos dias de pôr, próxima aos do nascer

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Primeira página


Aqui está um trecho do livro.

A Primeira Página

Afinal, as narrativas das minhas páginas com o Baby já amarelaram. Um dia, nada mais poderá ser lido. Uma noite, o jeito que havia rabiscado um Eu Te Amo com minha letra descompromissada, será desfocada e nada além será registro a não serem as lembranças das quais vivi. Ao mesmo tempo que sinto o Novo, empoeiro as folhas de papel tão bem escritas e inspiradas ao museu. 




Penso em queimar as publicações, mas é um pensamento mais rápido que o próprio fogo numa palha. Elas sumirão de forma natural sem ao menos contar os dias para que eu não releia o que durou. Não releia letra por letra, frase por período, parágrafo por livro e amor por ódio. Não releia disparidades de alguém dependente de folhas verdes e não dos meus olhos verdosos. Não releia incidências e desencontros. Não releia as renegociações forçadas das quais eu quis impor aos nossos dias. Não releia teus rebentos, Baby. Não releia teu corpo das vezes que escrevi em minha própria pele para me sentir mais preenchida. 



Não releia a única vez que disse sentir minha ausência. Não releia o relido. Uma nova fase sem releituras. Escrevo tudo outra vez sem reescrever nada que escrevi pra ti. Escrevo outro capítulo e até mesmo livro sem reescrever as inspirações das quais me ferveu. Escrevo o novo sem preguiça de começar a primeira página… Mas escrevo tudo outra vez sem pensar em quantas páginas terei que começar na primeira. Escrevo tudo outra vez sem me imaginar numa última também. Viver e escrever começando agora, minha primeira página – a de número 1-. Meu amor por ti acabou na página de número 33. aC

Um comentário:

Anônimo disse...

Uau...foi-se.