Primeira página
Aqui está um trecho do livro.
A Primeira Página
Afinal, as narrativas das minhas páginas com o Baby já
amarelaram. Um dia, nada mais poderá ser lido. Uma noite, o jeito que havia
rabiscado um Eu Te Amo com minha letra descompromissada, será desfocada e nada
além será registro a não serem as lembranças das quais vivi. Ao mesmo tempo que
sinto o Novo, empoeiro as folhas de papel tão bem escritas e inspiradas ao museu.


Penso em queimar as publicações, mas é um pensamento mais rápido
que o próprio fogo numa palha. Elas sumirão de forma natural sem ao menos
contar os dias para que eu não releia o que durou. Não releia letra por letra,
frase por período, parágrafo por livro e amor por ódio. Não releia disparidades
de alguém dependente de folhas verdes e não dos meus olhos verdosos. Não releia
incidências e desencontros. Não releia as renegociações forçadas das quais eu
quis impor aos nossos dias. Não releia teus rebentos, Baby. Não releia teu
corpo das vezes que escrevi em minha própria pele para me sentir mais preenchida.

Não releia a única vez que disse sentir minha ausência. Não releia o relido.
Uma nova fase sem releituras. Escrevo tudo outra vez sem reescrever nada que
escrevi pra ti. Escrevo outro capítulo e até mesmo livro sem reescrever as
inspirações das quais me ferveu. Escrevo o novo sem preguiça de começar a
primeira página… Mas escrevo tudo outra vez sem pensar em quantas páginas terei
que começar na primeira. Escrevo tudo outra vez sem me imaginar numa última
também. Viver e escrever começando agora, minha primeira página – a de número
1-. Meu amor por ti acabou na página de número 33. aC


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