aos dias de pôr, próxima aos do nascer

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Mulher dos sonhos

Ela vestia cabelos selvagens. Possuía lábios fluorescentes. Olho enigmático. Mãos oblongas e dedos plumosos. Tocava-me com jeito garantido. Trazia meus fios de cabelo frente seu rosto cor de inverno. Sua língua derretia na minha boca como bolas de sorvetes descansadas no relento do Sol.


O gosto do beijo era sabor estações previamente definidas. Deliberava-me as formas que me satisfaziam como mulher sexy, mulher doce, mulher amadeirada, mulher em êxtase. Constitui-me como sempre quis. Várias mulheres que eu me sentia quando a liberdade de escolha era um alvedrio por ela entregue.



Qualquer ocasião era sofá, travesseiro, cama, mesa e depois o banho. Seu carinho era pluma que me enraizava sem querer soltar. Sentia-me tão livre perto dela que resolvi sobrevoar. Acabei pousando em outros terrenos alucinógenos. Mas sua boca era tão quente que tinha completa noção que depois daquele verão o inverno se aproximaria de mim novamente.



Voltando, então, para àquela boca que nunca deixou de me cobrir, aquecer e me livrar de todo o mal, de todo o frio. Meu amor, o eco do barulho que nos afastou é o mesmo que escuto quando penso em beijá-la novamente. Não devo mais, nada mais… 


Um comentário:

Anônimo disse...

Ohh
https://www.youtube.com/watch?v=QFs3PIZb3js