aos dias de pôr, próxima aos do nascer

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

ai de mim!

ai de quem não leia um poema
ai do poeta que  não escreva um amor
ai de mim que não poete nossa afeição
ai do poeta que ama exageradamente
nem o excesso de amor o separa do papel
nem o papel consegue lhe transbordar
tantas separações
ai de mim, pobre de mim
que de amor já fiz
e hoje farei

de amor. 


o que é poesia?
não sei
mas talvez,
seja
um poema, 
pois então
ai de mim
não saber?

ai de mim
não escrever
por vários séculos
ai de mim
que não
acontecerá nada

ai de mim
lendo 
só de coisa passada
ai de ti
escrevendo
só de coisa próxima

ai do mundo
que seria monocíclico
sem as voltas que
ele gira

ai das voltas
se fossem tal como 
somente razão
não voltariam, jamais
pra recomeçar tudo
outra vez. 





4 comentários:

Anônimo disse...

ai de ti que não escrevesse mais poemas
como disseste,
não aconteceria nada
mas eu ofereço-te
uma musa.
esse poema nos joga num paradoxo
surreal e fato.
registro .

Anônimo disse...

Entre cores e sabores, gostos e desgostos, cheiro e éter, buscamo-nos entres as suculentas linhas sermos musas eternas Dela; Imaginário devaneio que nos sacia apenas desejando "ser" musa;tua palavra me goza, tua ausência me molha, aguardando o próximo poema de todas as musas em uma!

Si Oliveira disse...

Adorei a máquina de costurar palavras!
Acho que ilustra bem o trabalho de escrita.
Já as voltas que o mundo dá... essas, ele dá mesmo!
Não devemos parar nunca de recomeçar.
Beijos e parabéns!

Anônimo disse...

já a palavra Dela me inspira, seduz, derrete. A palavra e a boca em poema.