aos dias de pôr, próxima aos do nascer

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

meu hino da morte

assomos, assomos
a morte escura no dia de brasa
inda sois, inda sois
viva e também ânsia
tristurosa!




assomos, assomos
esse hino que sois morte
ah basta! a bosta basta,
brasa e também ânsia
afogada!

assomos, assomos
vejo o fogo em meu lápis
que se afoga em brasa
assomos, assomos
assamos tudo o que um dia fora escrito.

meus dedos escrevem sobre
as nuvens
sobre a vida que vejo por cima
das criaturas vivas, ainda
lá embaixo

assamos a minha poesia
debaixo dos meus olhos de morte
magoados
acima da minha face
que escorre água salgada
feia e de gosto azedo
a minha escrita tem medo da morte!




escalda, a calda 
da minha vida
que é líquida
que escorre tristeza
que é corre-corre
que correria da morte
o amor e a poesia
correm
correm 
correm com 
os córregos por onde
circula meu sangue
nas sarjetas 
as quais encosto
minhas costas
correndo entre as coxas
as gorjetas
de cansaço. 






Um comentário:

Anônimo disse...

Por que andas falando de morte?
Morte da escrita, morte do amor, morte da poeta?
Xô, Anjos! Vida longa à poeta!